As eleições para os governos estaduais, realizadas neste domingo (4), apresentam um cenário de predominância de candidatos com experiência política e possibilidade de ampliação da presença da direita e de partidos do centrão no comando dos estados. Levantamento publicado pela Folha de S.Paulo aponta que até 16 estados e o Distrito Federal poderão definir seus governadores ainda no primeiro turno.
A análise, publicada pelo jornalista João Pedro Pitombo, considera o desempenho dos candidatos nas pesquisas eleitorais, suas trajetórias políticas e a distribuição das forças partidárias nas diferentes regiões do país.
Entre os nomes que aparecem nas primeiras posições estão governadores que tentam a reeleição, ex-governadores, senadores, deputados e ex-prefeitos. O cenário contrasta com o observado em 2018, quando candidatos sem experiência anterior na administração pública conquistaram governos estaduais.
PL TENTA AMPLIAR PRESENÇA NOS GOVERNOS ESTADUAIS
O Partido Liberal (PL), legenda do candidato presidencial Flávio Bolsonaro, aparece na análise da Folha como uma das siglas com possibilidades de crescimento nas disputas estaduais.
Em 2022, o partido elegeu dois governadores. Neste ano, apresenta candidaturas competitivas em nove estados, segundo o levantamento.
Santa Catarina, Roraima e Rio Grande do Sul estão entre as unidades da federação em que candidatos do PL aparecem com possibilidade de vitória ainda no primeiro turno.
A legenda também participa de disputas com perspectiva de segundo turno em estados como Rio de Janeiro e Paraná.
A presença de candidatos do partido nessas regiões tem importância para a organização de suas bases eleitorais, embora o desempenho nas disputas estaduais não determine automaticamente o resultado da eleição presidencial.
REPUBLICANOS E CENTRÃO TAMBÉM BUSCAM MAIS GOVERNOS
Além do PL, outras legendas identificadas com a direita e o centro político apresentam candidaturas competitivas.
O Republicanos, que atualmente tem dois governadores, disputa os governos de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo com possibilidades de vitória, conforme o cenário descrito pela Folha.
Caso obtenha resultados favoráveis nesses estados, a sigla poderá ampliar sua presença no Sudeste.
A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, também aparece com candidatos competitivos em seis estados e no Distrito Federal.
Entre os nomes mencionados estão Eduardo Riedel, em Mato Grosso do Sul, e Celina Leão, no Distrito Federal, ambos apoiadores de Flávio Bolsonaro.
Na Paraíba, Lucas Ribeiro, também citado entre os candidatos com possibilidades de vitória, é aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Essa distribuição demonstra que alianças estaduais não reproduzem necessariamente as divisões da disputa presidencial.
No União Brasil, candidatos como Allyson Bezerra, no Rio Grande do Norte, ACM Neto, na Bahia, e Dorinha Seabra, no Tocantins, concentraram suas campanhas nas questões estaduais, evitando assumir posições na disputa entre Lula e Flávio.
ESQUERDA TENTA PRESERVAR ESPAÇO NO NORDESTE
O Nordeste continua sendo a principal região de concentração das candidaturas competitivas da esquerda.
Em 2022, o PT elegeu quatro governadores, enquanto o PSB conquistou outros dois governos estaduais.
Para 2026, a análise da Folha indica que, mesmo em um cenário favorável, os partidos de esquerda poderão conquistar até cinco governos na região.
Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) disputa a reeleição em um cenário de competição com ACM Neto (União Brasil).
No Ceará, Elmano de Freitas (PT) também enfrenta uma disputa considerada apertada.
Os dois governadores contam com o apoio do presidente Lula em suas campanhas.
Em Pernambuco, João Campos (PSB) disputa o governo contra Raquel Lyra (PSD). A eleição também aparece entre aquelas com possibilidade de definição por margem estreita.
No Piauí, Rafael Fonteles (PT) é apontado como favorito na análise publicada pela Folha.
Fora do Nordeste, partidos de esquerda e centro-esquerda tentam alcançar o segundo turno em estados como Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal.
Entre os candidatos citados estão Patrus Ananias (PT), Leandro Grass (PT), Requião Filho (PDT) e Juliana Brizola (PDT).
Entretanto, pesquisas divulgadas no sábado (3) indicavam possibilidade de definição já no primeiro turno em Minas Gerais, no Distrito Federal e no Rio Grande do Sul.
MDB, PSD E PSDB BUSCAM MANTER ESPAÇO POLÍTICO
Os partidos de centro também participam de disputas importantes.
O MDB tenta preservar sua presença nos governos de Goiás, Pará, Alagoas e Espírito Santo, embora o levantamento aponte incertezas em três dessas unidades da federação.
O PSD, que atualmente tem quatro governadores, busca manter espaço nos estados após uma campanha presidencial na qual Ronaldo Caiado não conseguiu alcançar os primeiros colocados nas pesquisas.
A legenda disputa a continuidade de sua presença nos governos de Pernambuco, Sergipe e Paraná.
Também aparece com candidaturas consideradas competitivas no Maranhão, Amazonas e Amapá, além da candidatura de Eduardo Paes ao governo do Rio de Janeiro.
O PSDB, por sua vez, tenta recuperar presença nos governos estaduais.
Entre suas candidaturas estão Ciro Gomes, no Ceará; João Henrique Caldas, em Alagoas; Marconi Perillo, em Goiás; e Vicentinho, no Tocantins.
A sigla chega à eleição sem candidatura própria à Presidência da República.
EXPERIÊNCIA POLÍTICA PREDOMINA ENTRE OS FAVORITOS
Um dos principais aspectos identificados no levantamento da Folha é a trajetória dos candidatos que ocupam as primeiras posições nas pesquisas estaduais.
Entre os primeiros e segundos colocados, aparecem 17 governadores que disputam a reeleição, nove senadores, três ex-governadores, três deputados federais, três deputados estaduais e 14 ex-prefeitos.
Apenas dois candidatos mencionados entre os favoritos nunca exerceram cargos eletivos.
Um deles é Maria do Carmo Seffair (PL), empresária que disputa o governo do Amazonas.
O outro é Orleans Brandão (MDB), candidato ao governo do Maranhão e sobrinho do atual governador, Carlos Brandão (MDB).
Em Minas Gerais, o senador Cleitinho aparece na liderança das pesquisas. Apesar de não ter exercido cargos no Poder Executivo, ele já foi vereador e deputado estadual antes de chegar ao Senado.
A predominância de candidatos com experiência institucional diferencia o cenário atual daquele registrado em 2018.
Na eleição daquele ano, sete governadores eleitos não tinham experiência anterior na administração pública e disputavam uma eleição pela primeira vez.
POLARIZAÇÃO PRESIDENCIAL NÃO SE REPETE EM TODOS OS ESTADOS
Embora a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro influencie o ambiente político nacional, a divisão entre os dois campos não se reproduz da mesma maneira em todas as eleições estaduais.
Segundo a Folha, em Acre, Mato Grosso, Roraima e Santa Catarina, os dois principais candidatos estão alinhados ao campo bolsonarista.
Em parte do Nordeste, candidatos da centro-direita evitaram confrontos diretos com Lula, adotaram neutralidade na disputa presidencial e buscaram votos de eleitores com diferentes preferências para presidente.
O Rio Grande do Norte aparece como a única unidade da federação com possibilidade de um confronto direto entre candidatos do PT e do PL em um eventual segundo turno.
Essas diferenças demonstram que as alianças locais, as trajetórias dos candidatos e as estruturas partidárias estaduais também influenciam a organização das disputas.
ATÉ 17 UNIDADES PODEM DEFINIR GOVERNADOR NO PRIMEIRO TURNO
O levantamento aponta a possibilidade de definição da eleição para governador em até 16 estados e no Distrito Federal neste domingo.
Essa projeção considera o cenário das pesquisas disponíveis antes da votação, não constituindo resultado oficial nem garantia de vitória dos candidatos apontados como favoritos.
Para vencer no primeiro turno, o candidato a governador precisa obter mais da metade dos votos válidos, excluídos os votos brancos e nulos.
Caso nenhum concorrente alcance essa marca, os dois mais votados disputarão o segundo turno.
A definição dos governos estaduais dependerá da votação e da apuração oficial da Justiça Eleitoral.
Fonte: Folha de S.Paulo — reportagem de João Pedro Pitombo, publicada em 3 de outubro de 2026.

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