A GloboNews corrigiu uma informação apresentada durante o programa “Em Pauta” após a repercussão, nas redes sociais, de conteúdos que associavam Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, a uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O canal afirmou que a informação havia sido distorcida e pediu desculpas durante a madrugada desta sexta-feira (25).
Segundo reportagem publicada pelo UOL, a controvérsia ganhou força na quinta-feira (24), quando começou a circular nas redes sociais a interpretação de que Flávio poderia apoiar uma mudança no reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida para atender a setores evangélicos. A publicação, entretanto, não aponta a existência de projeto atual apresentado ou apoiado pelo candidato com essa finalidade.
O episódio ganhou maior repercussão depois de um comentário feito pela jornalista Maria Cristina Fernandes no programa “Em Pauta”, da GloboNews.
Durante a análise, a comentarista afirmou que existiria uma reação dentro da Igreja Católica a um grupo de evangélicos que estaria se mobilizando em torno de um projeto de lei relacionado ao tema. Ela também analisou possíveis repercussões eleitorais da discussão entre o público católico.
Trechos dessa fala passaram a circular separadamente nas redes e foram utilizados para atribuir a proposta diretamente a Flávio Bolsonaro. De acordo com o UOL, porém, o comentário exibido no programa não apontava autoria do candidato nem estabelecia ligação direta entre ele e um projeto desse tipo.
GLOBONEWS FEZ CORREÇÃO E PEDIU DESCULPAS
A correção foi apresentada pela GloboNews na madrugada desta sexta-feira (25), durante a “Edição da Meia-Noite”.
Segundo o UOL, o canal esclareceu que a informação havia sido distorcida nas redes sociais e encerrou a manifestação com um pedido de desculpas.
Flávio Bolsonaro também reagiu à circulação da informação. Em vídeo gravado durante agenda em Minas Gerais, o candidato negou que exista uma proposta atual de sua autoria ou apoiada por ele para retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.
A declaração do candidato representa sua resposta pública à controvérsia. A inexistência de vínculo de Flávio com o projeto citado, porém, também pode ser verificada pelo histórico oficial da Câmara dos Deputados.
PROJETO É DE 2007 E NÃO FOI APRESENTADO POR FLÁVIO
A proposta que passou a ser mencionada durante a discussão é o Projeto de Lei nº 2.623/2007.
O texto foi apresentado em 12 de dezembro de 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli, à época filiado ao PMDB de Mato Grosso. Portanto, Flávio Bolsonaro não é o autor da proposta.
O projeto pretendia alterar a Lei nº 6.802/1980, responsável pelo feriado nacional de 12 de outubro em homenagem a Nossa Senhora Aparecida.
A mudança substituiria a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O feriado seria mantido.
A justificativa apresentada pelo autor na época estava relacionada ao caráter laico do Estado brasileiro.
A proposta chegou à Comissão de Educação e Cultura da Câmara, onde recebeu parecer pela rejeição. O parecer foi aprovado e o projeto acabou arquivado.
CÂMARA CONFIRMA QUE PROPOSTA ESTÁ ARQUIVADA
O próprio Portal da Câmara dos Deputados já publicou esclarecimento sobre o assunto após informações falsas circularem anteriormente nas redes sociais.
Segundo a Câmara, o PL 2.623/2007 foi arquivado em 22 de agosto de 2008 depois de ter sido rejeitado quanto ao mérito na comissão responsável por analisá-lo.
A ficha oficial da proposta continua classificando sua situação como “Arquivada”.
Isso significa que não se trata de um projeto em tramitação no Congresso em 2026.
Também não há, nas informações apresentadas pelo UOL ou no registro oficial desse projeto na Câmara, vínculo de Flávio Bolsonaro com sua autoria ou tramitação.
POLÊMICA SURGIU EM MEIO À CAMPANHA ELEITORAL
A discussão ganhou dimensão política porque ocorre nos últimos dias da campanha presidencial.
Segundo o UOL, parte da interpretação que deu origem à controvérsia também foi relacionada a uma declaração feita por Flávio Bolsonaro cerca de um mês antes.
Na ocasião, o candidato afirmou que, caso fosse eleito, um de seus primeiros atos seria declarar que o Brasil pertence a Jesus Cristo. Flávio se declara evangélico e integra a Igreja Comunidade das Nações.
Nos últimos dias, bispos católicos da Amazônia também divulgaram uma manifestação em defesa da soberania brasileira e com orientações relacionadas às eleições. A partir desse contexto, começaram a circular interpretações de que setores católicos estariam preocupados com uma eventual alteração do título de Nossa Senhora Aparecida.
A existência dessas discussões políticas e religiosas, entretanto, não estabelece vínculo entre Flávio Bolsonaro e o PL 2.623/2007.
O que os registros oficiais permitem afirmar é que o projeto mencionado na controvérsia foi apresentado pelo então deputado Professor Victório Galli em 2007, recebeu parecer contrário e está arquivado desde 2008.
Fonte: UOL e Câmara dos Deputados.

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