O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa pela Presidência da República, divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta em que se declara “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, agradece aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, e chama de fraude o resultado do segundo turno, sem apresentar provas. O texto foi enviado pelo blogueiro Paulo Figueiredo depois de o senador chegar a Miami, nos Estados Unidos, onde passou a viver com a mulher, Fernanda Bolsonaro, e as filhas.
É a primeira manifestação pública de Flávio desde que deixou o país. Pouco depois de a carta circular, uma nova versão foi distribuída com o nome do Brasil corrigido no brasão que abre o documento, que trazia a grafia “Estados Unidos do Brazil” e a data de 15 de novembro de 1889, emblema usado até 1968.
COMO FOI A SAÍDA DO BRASIL?
Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o senador e a família deixaram o país de carro, por Foz do Iguaçu (PR), na terça-feira (27). Do aeroporto de Cataratas del Iguazú, na Argentina, seguiram em um jato particular e desembarcaram em Miami pouco depois das 10h30, no horário de Brasília. Flávio teria usado o passaporte italiano para entrar na Argentina e o diplomático para entrar nos Estados Unidos, já que a Polícia Federal havia cancelado os documentos brasileiros, que não podiam mais ser usados.
Na carta, ele rejeita a ideia de fuga. “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, escreveu. O senador afirma que vive uma perseguição política e, sem citar o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o acusa de ter tentado “sequestrar” seus passaportes.
O QUE DIZ A CARTA?
Além de agradecer a Milei, a Trump e ao “povo americano” por acolhê-lo, Flávio classifica o segundo turno como “fraude eleitoral”. Ele critica a prorrogação em duas horas do horário de votação, definida pelo ministro do STF Cristiano Zanin depois de pedidos das duas chapas, e afirma que a decisão acrescentou mais de 10 milhões de votos a Lula. O senador não apresentou provas dessas afirmações, o que também ocorreu em 2022, quando o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), repetiu o discurso de fraude.
O texto compara a situação do senador à de nomes que deixaram seus países por razões políticas, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado. Flávio diz que vai liderar a oposição de fora do Brasil, que falará regularmente ao povo brasileiro e que apresentará, nos próximos dias, uma estratégia para mobilizar os apoiadores “por todos os meios pacíficos e legítimos”.
QUAL FOI O RESULTADO DA ELEIÇÃO?
Lula foi reeleito com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio, uma diferença de 4,4 milhões de votos. A vitória foi reconhecida pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, na noite de domingo (25). Um levantamento do Monitor do Debate Político no Meio Digital, da Universidade de São Paulo (USP), aponta que 34,7 mil pessoas votaram depois das 17h no segundo turno, número menor que os 40 mil registrados em 2022, quando não houve prorrogação.
COMO O PL REAGIU?
O PL reconheceu o resultado proclamado pelo TSE em nota assinada pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto, mas afirmou que os questionamentos levantados “precisam ser devidamente esclarecidos dentro de um debate político equilibrado e democrático”. O vice na chapa derrotada, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), também atestou o resultado e disse, em pronunciamento nas redes sociais, que o grupo “não vai desistir do Brasil”.
Durante a campanha, Lula, Flávio e os respectivos partidos entraram na Justiça com pedidos de cassação de chapa um contra o outro.
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