Os brasileiros vão às urnas neste domingo (4) para o primeiro turno das eleições de 2026 em meio a uma disputa presidencial apertada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta conquistar o quarto mandato, e Flávio Bolsonaro (PL), candidato que busca dar continuidade ao projeto político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A reta final da campanha foi marcada por investigações envolvendo pessoas ligadas aos dois candidatos, controvérsias relacionadas ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), decisões judiciais que interferiram na organização do debate da TV Globo e mudanças nas estratégias eleitorais.
Segundo análise publicada pelas jornalistas Tatiana Farah e Letícia Casado, do UOL, Lula e Flávio chegam ao primeiro turno sem conseguir se distanciar significativamente nas pesquisas mais recentes, apesar das ofensivas políticas e da repercussão das denúncias.
PESQUISAS MOSTRAM DISPUTA APERTADA
Na pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (3), Lula aparece com 45% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro registra 42%.
O levantamento da Quaest também indica proximidade entre os candidatos, com 46% para Lula e 45% para Flávio.
Esses percentuais representam intenções de voto registradas nas pesquisas, não resultados eleitorais. Os números também não permitem afirmar antecipadamente quem vencerá ou se haverá segundo turno.
A análise do UOL destaca que as denúncias e controvérsias da reta final não produziram mudanças relevantes e duradouras nas intenções de voto identificadas pelos institutos.
LULA ALTEROU ESTRATÉGIA NA RETA FINAL
De acordo com o UOL, a campanha de Lula começou concentrada na apresentação de resultados e realizações de seus três mandatos presidenciais.
Na avaliação de aliados ouvidos pelas jornalistas, a estratégia não apresentou inicialmente o resultado esperado. Nas últimas semanas, a campanha passou a intensificar críticas ao adversário e a destacar propostas com potencial de repercussão entre diferentes parcelas do eleitorado.
Nos últimos 15 dias, Lula anunciou medidas relacionadas ao reajuste do Bolsa Família, ao fim das apostas esportivas conhecidas como bets e à distribuição de medicamentos para emagrecimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo dados do Datafolha mencionados pelo UOL, aproximadamente 20% dos eleitores afirmam receber ou morar com alguém que recebe Bolsa Família. O encerramento das bets tem apoio de oito em cada dez brasileiros, enquanto a distribuição de medicamentos para emagrecimento pelo SUS é aprovada por 70%.
A reportagem original caracteriza essas iniciativas como medidas de apelo eleitoral, mas os anúncios, por si só, não demonstram que tenham provocado alteração efetiva na preferência dos eleitores.
FLÁVIO BUSCOU CONCENTRAR VOTOS DA OPOSIÇÃO
Na campanha de Flávio Bolsonaro, uma das principais estratégias da reta final foi o discurso do chamado voto útil.
O objetivo declarado era atrair eleitores contrários ao PT que ainda manifestavam preferência por outros candidatos, entre eles Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).
Segundo o Datafolha citado pelo UOL, esses quatro candidatos somavam 11% dos votos válidos na pesquisa divulgada no sábado.
Flávio também intensificou críticas ao Supremo Tribunal Federal e a decisões de ministros da Corte, classificando determinadas medidas como censura.
O candidato prometeu conceder anistia ou indulto aos condenados pelos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, incluindo seu pai, Jair Bolsonaro.
A proposta integra o discurso político de Flávio e depende de condições e procedimentos jurídicos próprios para eventual implementação.
A campanha também enfrentou dificuldades na formação de alianças partidárias. União Brasil, PP e Republicanos optaram pela neutralidade na disputa presidencial, frustrando a tentativa de ampliar a composição de apoio ao candidato.
Em junho, divergências públicas com Michelle Bolsonaro, relacionadas à disputa política no Ceará, também provocaram repercussão. Uma trégua foi anunciada no mês seguinte.
CASO MASTER ATINGIU O DEBATE ELEITORAL
Um dos principais focos de controvérsia na campanha foi o caso Banco Master, relacionado a investigações sobre operações financeiras e possíveis irregularidades.
Segundo o UOL, Flávio Bolsonaro é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção em uma apuração autorizada pelo STF em junho e tornada pública em setembro.
A existência da investigação não representa comprovação dos crimes investigados nem condenação do candidato.
Também repercutiu a divulgação de um áudio no qual Flávio solicitava recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, uma produção sobre Jair Bolsonaro.
O candidato afirmou repetidamente que não havia dinheiro público na cinebiografia.
O UOL destaca, nesse contexto, que o Banco Master recebeu aportes de R$ 1,4 bilhão de fundos de previdência do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas. A informação sobre esses aportes não demonstra, isoladamente, que os recursos tenham sido destinados ao filme.
A campanha de Lula utilizou o caso Master em críticas ao adversário, enquanto Flávio contestou as associações feitas entre o projeto cinematográfico e recursos públicos.
INVESTIGAÇÕES DO INSS TAMBÉM REPERCUTIRAM
Do lado de Lula, a campanha enfrentou questionamentos envolvendo pessoas próximas ao presidente.
Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, foi citado em três investigações da Polícia Federal relacionadas a suspeitas de tráfico de influência e corrupção.
Outro nome mencionado foi Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, chefe de gabinete do presidente. Segundo a reportagem do UOL, ele teria recebido repasses da lobista Roberta Luchsinger, apontada como ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Essas informações dizem respeito a apurações e suspeitas, não a condenações ou à comprovação de participação em crimes.
Diante das denúncias, Lula declarou que tanto seu filho quanto seu chefe de gabinete deveriam ser punidos caso fossem comprovadas irregularidades.
A campanha adversária explorou politicamente esses episódios, associando as investigações ao governo federal.
CRISE NO STF ENTROU NA CAMPANHA
A atuação do Supremo Tribunal Federal também ganhou espaço nas discussões eleitorais, principalmente em razão das controvérsias envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo o UOL, vieram a público informações sobre a utilização, por Moraes, de uma aeronave ligada a Daniel Vorcaro, além de mensagens trocadas entre o ministro e o ex-banqueiro.
Outra controvérsia envolve um contrato do Banco Master que previa pagamentos de R$ 131 milhões ao escritório de advocacia da esposa do ministro.
As informações alimentaram questionamentos públicos sobre a relação entre integrantes do Judiciário e o setor financeiro.
A campanha de Flávio Bolsonaro utilizou esses episódios em críticas ao STF e procurou associar politicamente a atuação de Moraes ao governo Lula.
Entretanto, decisões e condutas de ministros do Supremo não podem ser automaticamente atribuídas ao presidente da República. Também é necessário distinguir fatos documentados, suspeitas sob apuração e interpretações políticas sobre os episódios.
DECISÕES JUDICIAIS INTERFERIRAM NO DEBATE DA GLOBO
Outro episódio da reta final envolveu o cancelamento do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo na quinta-feira (1º).
A emissora atribuiu a decisão à insegurança jurídica provocada por determinações judiciais que modificaram as condições previstas para a realização do encontro.
Entre as controvérsias estavam decisões relacionadas à participação de candidatos e à possibilidade de manter um púlpito vazio para representar a ausência de Lula.
O episódio ampliou as discussões sobre a atuação da Justiça Eleitoral, a competência do STF e a autonomia dos veículos de comunicação na organização de debates.
Juristas apresentaram interpretações diferentes sobre a legalidade e o alcance das medidas, incluindo divergências sobre a existência de censura ou interferência indevida.
OUTROS CANDIDATOS NÃO ULTRAPASSARAM 6% NO DATAFOLHA
A disputa presidencial também conta com candidaturas que procuram apresentar alternativas à polarização entre Lula e Bolsonaro.
Entretanto, segundo o levantamento Datafolha citado pelo UOL, nenhum desses candidatos ultrapassou 6% dos votos válidos na pesquisa mais recente.
A reportagem aponta que as candidaturas de Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema passaram a receber atenção das campanhas dos dois primeiros colocados, especialmente nas discussões sobre a possibilidade de concentração de votos.
Na última semana, Romeu Zema chegou a desmentir informações de que abandonaria sua candidatura para apoiar Flávio Bolsonaro.
ELEITORES DECIDEM NESTE DOMINGO
A análise publicada pelo UOL mostra uma campanha marcada por mudanças de estratégia, denúncias, investigações e controvérsias envolvendo instituições públicas.
Lula e Flávio Bolsonaro chegam ao primeiro turno com percentuais próximos nas pesquisas, mas os levantamentos representam apenas o cenário observado entre os entrevistados antes da votação.
A definição sobre o desempenho de cada candidato dependerá dos votos efetivamente registrados nas urnas e da apuração oficial da Justiça Eleitoral.
Fonte: UOL — análise de Tatiana Farah e Letícia Casado, publicada em 4 de outubro de 2026.

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