O Senado Federal terá, a partir de 2027, pelo menos 49 parlamentares que se declararam favoráveis à possibilidade de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ainda que alguns tenham apresentado ressalvas. O número representa mais da metade das 81 cadeiras da Casa, mas permanece cinco votos abaixo dos 54 necessários para aprovar o afastamento de um magistrado.
O levantamento foi publicado pela Folha de S.Paulo, com base nos posicionamentos de senadores que continuarão no exercício de seus mandatos e de candidatos eleitos neste domingo (4), durante o primeiro turno das eleições de 2026.
A reportagem foi atualizada na madrugada desta segunda-feira (5). Embora o endereço original da publicação mencione 51 parlamentares, o texto atualizado reduziu a estimativa para 49, após considerar mudanças na composição do Senado.
COMO SE FORMA O GRUPO DE 49 SENADORES
De acordo com o levantamento, 14 senadores que permanecerão na Casa por mais quatro anos já manifestaram apoio à abertura de processos por crimes de responsabilidade contra ministros do Supremo.
Outros 35 parlamentares eleitos neste domingo também declararam posições favoráveis à medida, com diferentes condições ou ressalvas.
Entre os novos integrantes estão Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), eleitas pelo Distrito Federal, Guilherme Derrite (PP), eleito por São Paulo, e Carlos Portinho (PL), eleito pelo Rio de Janeiro.
A soma dos dois grupos chega a 49 senadores, mas isso não significa que exista um compromisso conjunto de votação ou apoio automático a qualquer pedido de impeachment.
As declarações individuais podem se referir a ministros específicos, a determinadas circunstâncias ou à necessidade de comprovação de crimes de responsabilidade.
POR QUE SÃO NECESSÁRIOS 54 VOTOS
O Senado possui 81 integrantes. Para aprovar a condenação e o afastamento de um ministro do STF por crime de responsabilidade, a Constituição exige o voto favorável de dois terços dos senadores, o equivalente a 54 parlamentares.
Portanto, mesmo que os 49 integrantes identificados pela Folha votassem da mesma maneira, seriam necessários outros cinco votos para atingir esse número.
A abertura e o processamento de um pedido de impeachment também dependem de procedimentos próprios, que não se confundem com a votação final.
O Senado é responsável pelo julgamento dos ministros do Supremo nos casos de crimes de responsabilidade. A simples manifestação de apoio à possibilidade de impeachment não constitui uma acusação formal nem comprova a prática de irregularidades.
PL TERÁ A MAIOR BANCADA DO SENADO
As eleições de 2026 também modificaram a composição partidária da Casa.
Segundo os números apresentados pela Folha, o Partido Liberal (PL) terá 28 senadores a partir de 2027, formando a maior bancada individual.
A legenda conquistou 19 vagas na eleição deste domingo. O Partido dos Trabalhadores (PT) terá nove representantes, dos quais seis foram eleitos em 2026.
Dos 54 senadores escolhidos neste pleito, 29 receberam apoio de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República.
Durante a campanha, Flávio divulgou uma relação de 48 candidaturas ao Senado que apoiava. Desse grupo, 29 conquistaram uma cadeira, aproximadamente 60% dos nomes indicados.
O resultado também será relevante para a eleição da próxima Mesa Diretora do Senado e para a definição dos integrantes das comissões permanentes.
DISPUTA PELA PRESIDÊNCIA DO SENADO
A presidência do Senado exerce papel importante na tramitação de pedidos de impeachment contra ministros do STF.
O atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), tem sido responsável por decidir sobre o andamento dessas solicitações, mantendo pedidos sem tramitação.
Segundo a Folha, integrantes do grupo político ligado ao bolsonarismo discutem alternativas para a presidência do Senado na próxima legislatura.
Entre os nomes considerados estão Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, e Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura.
Marinho é identificado com as posições políticas do grupo, enquanto Tereza Cristina é considerada por seus interlocutores uma alternativa para ampliar o diálogo com parlamentares de outros partidos.
A senadora, entretanto, não apresentou posição pública definitiva sobre o impeachment de ministros do Supremo.
Alcolumbre, que possui mandato até 2030, também articula apoios para permanecer no comando da Casa.
A definição da presidência será uma etapa separada da eleição dos senadores e dependerá da votação dos próprios integrantes do Legislativo.
CASO BANCO MASTER AMPLIOU DEBATE SOBRE O STF
O levantamento da Folha também relaciona a ampliação das manifestações favoráveis ao impeachment às investigações envolvendo o Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro.
A reportagem menciona informações obtidas em investigações da Polícia Federal e questionamentos sobre relações profissionais, empresariais e contatos envolvendo pessoas próximas a ministros do Supremo.
Entre os magistrados citados estão Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.
No caso de Moraes, a reportagem aborda o contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, além de referências a mensagens relacionadas a Vorcaro.
Em relação a Toffoli, são mencionadas ligações empresariais entre fundos associados ao banco e negócios envolvendo familiares do ministro.
Quanto a Nunes Marques, a publicação trata de relações e mensagens envolvendo pessoas de seu círculo familiar e profissional.
As informações são apresentadas no contexto de investigações e questionamentos públicos. A existência de contratos, contatos ou referências em mensagens não constitui, por si só, comprovação de crime de responsabilidade ou de participação dos ministros em fraudes.
A Folha observa que as discussões sobre o impeachment, anteriormente concentradas principalmente em setores ligados ao bolsonarismo, passaram a envolver também candidatos e parlamentares de outros grupos políticos.
MUDANÇAS DE MANDATO INFLUENCIARAM O CÁLCULO
Outro fator considerado na atualização do levantamento foi a saída de senadores que disputaram e venceram eleições para governador.
Cleitinho (Republicanos-MG) e Sergio Moro (PL-PR) haviam manifestado apoio ao impeachment de ministros do Supremo, mas foram eleitos para governar seus respectivos estados.
Com a mudança de função, suas cadeiras no Senado serão ocupadas por suplentes que, segundo a reportagem, não possuem declarações públicas conhecidas sobre o assunto.
Essa circunstância levou à revisão do cálculo, uma vez que não seria correto atribuir automaticamente aos suplentes as posições manifestadas pelos titulares.
O QUE PODE ACONTECER A PARTIR DE 2027
A nova composição do Senado assumirá em fevereiro de 2027.
Além das atribuições legislativas, os senadores poderão analisar indicações de autoridades, participar de comissões de investigação e exercer as competências constitucionais relacionadas ao julgamento de determinadas autoridades.
No caso dos ministros do STF, qualquer eventual processo de impeachment dependerá de denúncia, análise dos requisitos legais, tramitação institucional e votação conforme as regras constitucionais.
O levantamento de 49 senadores representa um retrato dos posicionamentos declarados até o momento, não uma decisão já tomada pela Casa.
Fonte: Folha de S.Paulo, reportagem publicada em 4 de outubro de 2026 e atualizada em 5 de outubro de 2026.

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