Uma combinação de hábitos digitais e falta de preparo para identificar situações de risco está ampliando a exposição de adolescentes brasileiros a formas de violência sexual no ambiente virtual, aponta um levantamento recente de organizações que monitoram direitos e segurança na internet.
Dados oficiais do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), indicam que entre 2022 e 2023 cerca de 23% de crianças e adolescentes brasileiros foram vítimas de algum tipo de violência sexual online, com maior incidência entre meninas, segundo registros do Disque 100.
O cenário nacional é reforçado por um estudo do ChildFund Brasil, que ouviu mais de 8 mil adolescentes de 13 a 18 anos em todas as regiões do país. A pesquisa constatou que mais da metade dos entrevistados relatou já ter sofrido violência sexual online, e que cerca de 20% interagiram com pessoas desconhecidas ou consideradas suspeitas em ambientes digitais.
Outro dado que chama atenção do estudo é a predominância de atividades digitais no cotidiano dos jovens: cerca de 79% dos hobbies mencionados pelos próprios adolescentes são realizadas em ambientes virtuais, como redes sociais, jogos e aplicativos de mensagens, reduzindo significativamente as interações presenciais e aumentando o tempo em frente às telas.
Segundo a pesquisa, essa concentração de atividades no mundo digital pode ampliar a probabilidade de abordagens abusivas ou situações de risco, justamente porque muitos jovens não reconhecem padrões de comportamento perigosos — e a imensa maioria, 94% dos entrevistados, afirmou não saber como denunciar casos de violência sexual online.
Especialistas ressaltam que a exposição prolongada às telas, aliada à falta de informação sobre mecanismos de proteção e denúncia, cria um ambiente no qual adolescentes ficam mais vulneráveis a abordagens ofensivas, exploração e outras formas de abuso online; ao mesmo tempo, poucas atividades de lazer fora do mundo digital podem reduzir oportunidades de socialização segura e supervisionada.
A pesquisa também destaca que apenas cerca de um em cada cinco adolescentes relata participar de hobbies ou atividades de lazer offline, como esportes, leitura ou encontros presenciais com amigos, um sinal de que o equilíbrio entre interação digital e experiências no mundo real ainda está longe do ideal.
O conjunto de informações levanta questões importantes sobre educação digital, supervisão familiar e políticas públicas de proteção de crianças e adolescentes na internet, especialmente diante do crescimento do uso de redes sociais e plataformas de comunicação entre jovens em todo o país.

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