Integrantes da cúpula das Forças Armadas discutem, de forma reservada, como seria a relação com um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), caso o senador vença a disputa pelo Planalto no segundo turno, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. Entre oficiais ouvidos pelo jornal, a expectativa é de que o próximo ministro da Defesa seja um civil ligado ao bolsonarismo, e não um militar.
O assunto circula por mensagens e telefonemas e foi tema de conversas paralelas à reunião do Alto Comando do Exército, que reúne em Brasília, nesta semana, 16 generais de quatro estrelas para definir promoções, de acordo com o jornal.
O nome mais citado, segundo a Folha, é o de Marcos Degaut, que foi secretário de Produtos de Defesa no governo de Jair Bolsonaro e é próximo de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. Entre maio de 2023 e abril de 2024, ele foi diretor para Brasil e América Latina do Edge Group, conglomerado de defesa dos Emirados Árabes Unidos. Ainda de acordo com o jornal, alguns militares questionam se esse vínculo seria problemático, porque o grupo comprou empresas brasileiras do setor, como a fabricante de mísseis SIATT e a Akaer. Procurado pela Folha, o Centro de Comunicação Social do Exército disse que não comentaria as especulações.
No Exército, que reúne 60% dos 374,5 mil militares do país, a aposta mais ouvida para o comando é o general Francisco Humberto Montenegro Júnior, número 2 da Força. A reportagem afirma que ele é visto como o mais político do Alto Comando, depois do comandante, general Tomás Ribeiro Paiva, e teria condições de conduzir a transição entre governos. Pesa contra ele o fato de ser o sétimo general mais antigo do colegiado: a praxe indica o primeiro da fila, o chefe da Secretaria de Finanças, Luciano Guilherme Cabral Pinheiro.
Outros dois nomes aparecem nas conversas: Kleber Nunes de Vasconcellos, comandante de Operações Terrestres, e Luiz Fernando Baganha, diretor de pessoal do Exército, que trabalhou no Gabinete de Segurança Institucional entre 2019 e 2021. Segundo a Folha, os sete cotados têm visões políticas de direita, mas nenhum é associado hoje ao golpismo que marcou parte do Alto Comando durante o governo Bolsonaro.
Na Marinha e na Aeronáutica, as sucessões ainda são uma incógnita, de acordo com a reportagem. Na Marinha, comenta-se a esperança de que o almirante mais antigo, Arthur Fernando Bettega, chefe do Estado-Maior, seja escolhido comandante. Na FAB, o nome natural seria o de Walcyr Josué de Castilho Araújo, atual número 2 da Força.
Os militares tratam o tema com discrição, segundo a Folha. Um oficial ouvido pela reportagem afirmou que não há interlocução entre o Exército e a campanha de Flávio Bolsonaro. O texto não traz manifestação da campanha do senador.
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