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Segunda-feira, 20 de Abril 2026

Notícias/Segurança

Fabricantes de tornozeleiras eletrônicas projetam dobrar ganhos no Brasil até 2030

Uso de equipamentos cresceu vinte vezes na última década e deve seguir em expansão com novas tecnologias de rastreamento e pressão para reduzir a superlotação nos presídios estaduais de todo o país

Fabricantes de tornozeleiras eletrônicas projetam dobrar ganhos no Brasil até 2030
Tiago Stille
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O mercado de monitoramento eletrônico no Brasil vive um momento de expansão acelerada, impulsionado por uma mudança estratégica no sistema judiciário e pela necessidade de redução de custos nos cofres públicos. Segundo dados do setor, a quantidade de tornozeleiras eletrônicas em uso no país cresceu 20 vezes entre 2016 e 2024, saltando para cerca de 122 mil unidades ativas no ano passado. A projeção dos fabricantes é dobrar esses números até 2030, consolidando o equipamento como alternativa viável à prisão em regime fechado.

Para a gestão de segurança pública, que impacta diretamente municípios como Santa Isabel e região, o fator econômico é decisivo. Dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) revelam uma disparidade brutal nos custos: enquanto a manutenção de um detento no sistema carcerário convencional custa, em média, R$ 28 mil por ano (variando entre R$ 1.100 e R$ 4.300 mensais dependendo do estado), o aluguel anual de uma tornozeleira eletrônica gira em torno de R$ 3.000. Isso representa uma economia de R$ 25 mil por ano para cada indivíduo monitorado fora das grades.

Mercado concentrado e tecnologia nacional

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O setor é disputado por cinco empresas principais, mas apresenta alta concentração. A companhia paranaense Spacecom lidera com folga, detendo 80% do mercado nacional e utilizando tecnologia própria. Outras concorrentes, como a UE Brasil Tecnologia — que forneceu o equipamento utilizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro —, além das brasileiras Geocontrol e Synergye e a britânica Buddi, dividem o restante da demanda, disputando licitações estaduais.

O modelo de negócio predominante não é a venda, mas a locação dos dispositivos. Os estados pagam cerca de R$ 250 mensais por preso, valor que inclui o equipamento e, em muitos casos, a gestão de uma central de monitoramento. O mercado de fornecimento de tornozeleiras movimentou R$ 30,5 milhões em faturamento apenas em 2024, mas a receita total é significativamente maior quando somados os serviços de manutenção e pessoal.

Como funciona a segurança

A tecnologia embarcada nos dispositivos avançou para evitar fraudes, uma preocupação constante da população. As tornozeleiras modernas enviam sinais de localização via GPS a cada minuto para uma central que opera 24 horas. O equipamento possui sensores que detectam tentativas de rompimento da fibra sintética (reforçada com aço ou plástico), exposição a calor excessivo, umidade e impactos bruscos. Até mesmo a falta de carregamento da bateria — que hoje dura cerca de 24 horas — é considerada infração e alerta as autoridades imediatamente para o acionamento da polícia.

O futuro do setor aponta para a miniaturização dos aparelhos e o aumento da autonomia da bateria para até 48 horas, visando maior eficiência no controle de quem cumpre pena em liberdade.

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