Cinco anos após o início da vacinação contra a Covid-19 no Brasil, a percepção de que a doença é um problema do passado representa o maior desafio para as autoridades de saúde de Santa Isabel. A imunização levou ao fim do estado de emergência global, mas os números mostram que o vírus ainda circula com força. Em 2025, o país registrou pelo menos 1,7 mil mortes associadas à doença, reflexo direto de uma cobertura vacinal que hoje se encontra muito abaixo da meta ideal de 90%.
Em Santa Isabel, a realidade nos postos de saúde reflete o panorama nacional. O Ministério da Saúde distribuiu 21,9 milhões de doses em 2025 para todo o país, mas os municípios aplicaram apenas 8 milhões. O abandono do calendário vacinal afeta, sobretudo, os dois extremos da população: idosos e crianças, grupos que ainda sofrem com as taxas mais altas de hospitalização.
Entre as crianças, a situação acende um alerta vermelho. Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que a faixa etária abaixo de dois anos é a segunda mais vulnerável a complicações. Muitas famílias isabelenses, movidas pela falsa sensação de segurança, deixaram de levar os filhos para receber as doses de rotina. Contudo, especialistas reforçam que o coronavírus não possui sazonalidade definida e uma nova onda pode surgir a qualquer momento com o aparecimento de variantes mais transmissíveis.
A vacina contra a Covid-19 já faz parte do calendário básico para o público infantil (dos seis meses aos cinco anos de idade), idosos e gestantes, que precisam se vacinar a cada nova gravidez. Pessoas imunocomprometidas e com comorbidades também integram o grupo de risco e necessitam de reforço periódico a cada seis meses ou anualmente, conforme o perfil.
Para a rede de saúde de Santa Isabel, a orientação é clara: a prevenção continua como a única barreira eficaz contra casos graves e óbitos. As unidades básicas do município dispõem de doses seguras e comprovadas cientificamente. O esforço atual das equipes técnicas é conscientizar os pais e responsáveis de que o perigo é real e que a caderneta de vacinação em dia salva vidas.

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