Santa Isabel entrou em estado de atenção após o registro de três mortes por intoxicação por metanol em cidades vizinhas. Embora não haja casos confirmados localmente, o risco de circulação de bebidas clandestinas contaminadas com a substância altamente tóxica preocupa autoridades sanitárias e especialistas.
O alerta foi reforçado após entrevista do diretor de comunicação da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), Rodolpho Heck Ramazzinio, à TV Brasil. Segundo ele, o metanol importado ilegalmente para adulteração de combustíveis pode ter sido redirecionado para destilarias clandestinas após a Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Receita Federal e órgãos parceiros no fim de agosto. A operação desmantelou um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro que envolvia cerca de mil postos de combustíveis ligados ao crime organizado, com movimentação de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.
“O redirecionamento ocorre quando os tanques interditados começam a ser desovados em empresas químicas e destilarias ilegais. O objetivo é escalar o lucro, sem qualquer preocupação com a saúde pública”, afirmou Ramazzinio.
Segundo o governo estadual, desde junho foram confirmados seis casos de intoxicação por metanol com suspeita de ingestão de bebida adulterada. Dez casos seguem sob investigação, dos quais três resultaram em óbito: um homem de 58 anos em São Bernardo do Campo, outro de 54 anos na capital paulista e um terceiro, de 45 anos, ainda sem residência identificada.
O metanol, embora semelhante ao etanol, tem metabolismo diferente no corpo humano. Após a ingestão, é convertido em formaldeído e ácido fórmico, substâncias que podem causar danos neurológicos, cegueira e morte. Os sintomas surgem entre 12 e 14 horas após o consumo e incluem dores de cabeça, náuseas, vômitos, confusão mental e alterações visuais como visão turva e intolerância à luz.
Nesta segunda-feira (29), uma força-tarefa das secretarias estaduais da Saúde (SES) e da Segurança Pública (SSP), em parceria com o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) e a Covisa, apreendeu 117 garrafas de bebidas sem rótulo e sem comprovação de procedência em três estabelecimentos nos bairros Jardim Paulista e Mooca, na capital. As amostras foram encaminhadas para perícia no Instituto de Criminalística, e dois locais foram autuados por irregularidades sanitárias.
O CVS reforça que o consumo de bebidas sem procedência confiável representa risco à saúde. A recomendação é que bares e estabelecimentos redobrem a atenção quanto à origem dos produtos oferecidos, e que a população adquira apenas bebidas de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal.
Em Santa Isabel, o alerta é claro: qualquer sintoma incomum após o consumo de bebida alcoólica deve ser comunicado imediatamente ao serviço de urgência. A intoxicação por metanol é grave e pode se agravar rapidamente, exigindo tratamento especializado.
