Um site de venda de criptomoedas lançou na terça-feira (6) um esquema que distribui "tokens" a usuários que compartilharem a mensagem B22 e conteúdos, como vídeos, que incentivam o voto em Flávio Bolsonaro (PL), segundo reportagem da Folha publicada nesta quinta-feira (8).
A empresa diz não ter ligação oficial com o candidato, e a campanha não comentou até a publicação da reportagem. Especialistas ouvidos pelo jornal afirmam que a estrutura é parecida com a dos campeonatos de cortes de vídeos de Pablo Marçal.
O site é divulgado por um perfil do Instagram com 12,9 milhões de seguidores, o hyperskidsafrica, que arrecada recursos para construir casas para crianças em Uganda. Um vídeo de crianças africanas dançando com camisetas "B22 token" e cantando "vota, vota e confirma, 22 é Bolsonaro" teve 1,2 milhão de visualizações. Segundo o site, parte das vendas da criptomoeda B22 vai financiar projetos para as crianças.
Pela regra de distribuição, quem fizer uma publicação em rede social mostrando que participa da comunidade B22 pode ganhar tokens, que resultam em benefício financeiro com a valorização.
O que dizem a empresa e os especialistas
O site afirma ser um movimento que une apoio ao voto 22 e a ajuda às crianças. Ressalva que a distribuição de tokens é independente de voto ou de propaganda eleitoral e que o projeto não é oficial, não é endossado nem tem vínculo com político, partido ou campanha, e não é doação eleitoral. O registro do site aparece como privado e sigiloso, e a Folha enviou mensagem ao email listado.
O advogado eleitoral Hélio Silveira, que liderou a equipe jurídica de Tabata Amaral na eleição paulistana de 2024, avalia que a lógica é a mesma dos cortes de Marçal, com incentivos financeiros para divulgar candidato, e que há potencial doação de pessoa jurídica à campanha. A pesquisadora Nina Santos, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital, classifica a operação como complexa e ilegal e diz que pessoa jurídica não pode fazer campanha eleitoral.
Marçal foi condenado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico nos campeonatos de cortes, porque a lei veda a concessão de vantagem econômica para a veiculação de propaganda eleitoral na internet. Em dezembro de 2025, o TRE-SP manteve a inelegibilidade dele por oito anos.
Perfis de Kevim Flores no X e no Instagram divulgam o lançamento do site, mas ele não se identifica claramente como dono. A Folha o procurou por mensagem. A campanha de Flávio Bolsonaro disse que responderia ao questionamento da reportagem nesta quinta-feira.
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