O debate sobre "mankeeping" — a manutenção emocional dos homens por suas parceiras em relacionamentos heterossexuais — ganhou as redes sociais e acendeu um alerta para a sobrecarga invisível que afeta a saúde mental das mulheres, incluindo as moradoras de Santa Isabel. Embora a palavra seja nova, cunhada por pesquisadores de STANFORD, nos Estados Unidos, ela descreve uma realidade antiga de mulheres que assumem a responsabilidade unilateral de manter seus parceiros satisfeitos, engajados e emocionalmente equilibrados.
A prática se manifesta em ações cotidianas que, apesar de parecerem gestos de carinho, tornam-se uma exaustiva carga de trabalho mental não remunerada e sem reciprocidade. O mankeeping se manifesta em ações como gerenciar compromissos do parceiro, mediar conflitos familiares, traduzir emoções e oferecer suporte constante — funções que, embora não reconhecidas formalmente, exigem energia psíquica intensa. Ser a principal (ou única) fonte de escuta emocional, gerenciar a agenda social e familiar, e incentivar o autocuidado do parceiro são exemplos comuns dessa sobrecarga.
A SECRETARIA DE SAÚDE DE SÃO PAULO, em nota sobre o aumento da demanda por atendimento psicológico na rede pública, reitera que a sobrecarga emocional e o estresse crônico são fatores de risco para transtornos como ansiedade, depressão e burnout. O fenômeno do mankeeping se encaixa neste contexto, já que a gestão emocional constante do outro, somada às demais responsabilidades domésticas e profissionais, pode levar a mulher à perda de identidade e ao esgotamento.
A questão está profundamente ligada aos papéis de gênero tradicionais. A socialização ensina às mulheres que elas devem ser cuidadoras, compreensivas e emocionalmente disponíveis, enquanto os homens, muitas vezes, não são incentivados a desenvolver autonomia emocional ou uma rede de apoio que vá além da parceira. A discussão sobre o mankeeping, portanto, é crucial para promover relações mais equilibradas e saudáveis, pressionando por maior reciprocidade e pela divisão justa do trabalho emocional, um passo fundamental para desafogar a saúde mental feminina em Santa Isabel.

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