Uma nova onda de furtos tem colocado donos do Volkswagen Up e do Fiat Idea em alerta. O alvo dos criminosos é a ECU — a central eletrônica do motor — componente essencial para o funcionamento do veículo e que possui alto valor no mercado paralelo.
Conhecida como o “cérebro” do carro, a ECU é responsável por controlar funções como a injeção de combustível e o gerenciamento do motor. No caso do VW Up, descontinuado no Brasil em 2021, a peça tem se tornado ainda mais visada devido à dificuldade de reposição e à alta demanda por unidades usadas.
Um dos fatores que facilitam a ação criminosa é a localização do módulo no VW Up. Diferentemente de muitos veículos, a ECU não fica sob o capô, mas sim dentro do para-lama dianteiro esquerdo, em posição considerada de fácil acesso. Segundo especialistas do setor automotivo, em poucos segundos a peça pode ser desconectada com um puxão firme.
A escassez do componente no mercado formal eleva o preço no mercado ilegal, o que ajuda a explicar o aumento dos furtos. O problema já atinge diferentes regiões do país e acende um sinal de alerta também para proprietários em Santa Isabel.
Oficinas especializadas passaram a oferecer medidas preventivas. Uma delas é a realocação do módulo para dentro do cofre do motor, atrás da bateria — área considerada mais protegida. De acordo com Leandro Gil, da oficina Lealtec, o procedimento custa em média R$ 550 e leva até quatro horas para ser concluído.
O processo envolve a retirada da roda dianteira esquerda e da proteção plástica interna para acesso ao módulo original. Em seguida, o chicote elétrico é redirecionado para o cofre do motor, onde um novo suporte é instalado entre a bateria e a parede corta-fogo. Após a fixação, a ECU fica mais protegida pela estrutura do veículo e pelo próprio capô.
Outro modelo que entrou no radar dos criminosos é o Fiat Idea. Mesmo com a ECU posicionada no cofre do motor, há registros de arrombamento do capô para retirada da peça. Em alguns casos, proprietários relataram gastos entre R$ 2.200 e R$ 3.000 para reposição do módulo furtado.
Para reduzir o risco, algumas oficinas passaram a oferecer travas de proteção do capô, com custo aproximado de R$ 400.
Especialistas recomendam que proprietários desses modelos redobrem a atenção, principalmente em estacionamentos na rua ou locais com pouca vigilância. Medidas preventivas podem evitar prejuízos elevados e transtornos na reposição da peça.

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