Diante do alerta que se espalha pelo Estado de São Paulo após registros de intoxicação e mortes supostamente ligadas ao consumo de bebidas destiladas adulteradas com metanol, a Prefeitura de Santa Isabel iniciou, nesta quinta-feira (02), o que chamou de uma "ação de orientação" junto a estabelecimentos comerciais do município. A medida, embora intencionada a prevenir uma crise de saúde pública local, levanta questionamentos sobre sua eficácia e o alcance do poder de fiscalização.
A iniciativa, coordenada pela Secretaria de Saúde por meio da Vigilância Sanitária, consiste em percorrer comércios que vendem bebidas alcoólicas para distribuir material informativo sobre os perigos do metanol — uma substância altamente tóxica que, mesmo em pequenas doses, pode causar cegueira e levar à morte. Os proprietários dos estabelecimentos assinam um termo de recebimento das orientações, um protocolo que cumpre uma função educativa, mas que não se aprofunda em ações de controle efetivo.
Enquanto a prefeitura enquadra a mobilização como uma resposta preventiva, protocolos de saúde pública para situações de risco sanitário como esta costumam prever ações mais incisivas. Especialistas da área apontam que a simples orientação, sem a coleta de amostras de produtos suspeitos para análise laboratorial ou uma fiscalização rigorosa dos lotes e notas fiscais para rastrear a origem dos destilados, pode se mostrar insuficiente para barrar a circulação de um produto potencialmente letal.
A estratégia municipal também se estendeu à rede de saúde, com a distribuição dos mesmos materiais informativos e a realização de um treinamento específico para as equipes. O objetivo é prepará-las para identificar e agir em eventuais casos de intoxicação por metanol, cujos sintomas incluem dor de cabeça, náuseas, vômitos e distúrbios visuais.
Até a publicação desta reportagem, a administração municipal não informou haver registro de caso suspeito na cidade. O fato de Santa Isabel ainda não ter sido atingida, contudo, reforça a urgência de medidas que transcendam o campo da orientação e entrem na esfera da fiscalização ativa, especialmente em um mercado com alta circulação de produtos de origem não verificada.
A prefeitura orienta que a população adquira bebidas apenas em locais regularizados e verifique a integridade de rótulos e lacres. A recomendação é válida, mas transfere parte da responsabilidade ao consumidor, quando a garantia da segurança dos produtos à venda é uma prerrogativa do poder público.

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