O Brasil encerra o ano de 2025 com a segunda maior taxa de juros reais do mundo. O cenário foi confirmado nesta quarta-feira (10), após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidir, por unanimidade, manter a taxa Selic em 15% ao ano. O patamar elevado impacta diretamente a tomada de crédito em municípios como Santa Isabel, onde o comércio e os pequenos negócios dependem do financiamento para girar a economia.
De acordo com levantamento do site MoneYou e da gestora Infinity Asset, a taxa de juros real brasileira — calculada ao descontar a inflação projetada para os próximos 12 meses — encontra-se em 9,44%. O índice coloca o país atrás apenas da Turquia, que lidera o ranking global com 10,33%.
A manutenção da Selic em dois dígitos reflete a cautela da autoridade monetária frente às pressões inflacionárias e ao cenário fiscal. Para o mercado isabelense, a decisão sinaliza a continuidade de um crédito caro. O custo do dinheiro em patamares altos tem por objetivo controlar a alta dos preços, mas, como efeito colateral, restringe o consumo das famílias e o investimento das empresas locais.
Impacto no Comércio Local
Para os lojistas e empreendedores de Santa Isabel, o juro real elevado atua como um freio na atividade econômica. Com o crédito mais oneroso, a venda de bens duráveis e semiduráveis — que geralmente exigem parcelamento — tende a perder força.
A análise econômica aponta que a taxa de 9,44% acima da inflação torna o investimento produtivo menos atraente do que a renda fixa. Na prática, recursos que poderiam ser destinados à expansão de negócios, reformas ou contratações no município acabam migrando para aplicações financeiras, fenômeno conhecido como "rentismo".
Juros nominais
Considerando os juros nominais (sem descontar a inflação), a taxa brasileira manteve a quarta posição.
Veja abaixo:
- Turquia: 39,50%
- Argentina: 29,00%
- Rússia: 16,50%
- Brasil: 15,00%
- Colômbia: 9,25%
- México: 7,25%
- África do Sul: 6,75%
- Hungria: 6,50%
- Índia: 5,25%
- Indonésia: 4,75%
- Filipinas: 4,75%
- Chile: 4,75%
- Israel: 4,25%
- Hong Kong: 4,25%
- Polônia: 4,00%
- Reino Unido: 4,00%
- Estados Unidos: 3,75%
- Austrália: 3,60%
- República Tcheca: 3,50%
- China: 3,00%
- Malásia: 2,75%
- Coreia do Sul: 2,50%
- Nova Zelândia: 2,25%
- Canadá: 2,25%
- Alemanha: 2,15%
- Áustria: 2,15%
- Espanha: 2,15%
- Grécia: 2,15%
- Holanda: 2,15%
- Portugal: 2,15%
- Bélgica: 2,15%
- França: 2,15%
- Itália: 2,15%
- Taiwan: 2,00%
- Suécia: 1,75%
- Dinamarca: 1,60%
- Tailândia: 1,50%
- Cingapura: 1,15%
- Japão: 0,50%
- Suíça: 0,00%
O Ranking Global
O levantamento que posiciona o Brasil na vice-liderança avaliou 40 economias. O país supera nações que enfrentam crises econômicas severas ou instabilidades geopolíticas, como a Rússia (3º lugar, com 7,89%) e a Argentina (4º lugar, com 7,14%). O México aparece na quinta posição, com 4,21%.
A expectativa do mercado agora se volta para 2026. A projeção de inflação para os próximos 12 meses oscila entre 4,06% e 4,4%, o que mantém a taxa real em nível restritivo. Sem previsão de cortes imediatos na Selic, o consumidor de Santa Isabel deve manter a cautela no endividamento neste início de ano.

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