O alívio momentâneo sentido pelo consumidor com a recente desaceleração da inflação geral esconde uma realidade desafiadora para as famílias de Santa Isabel: garantir uma alimentação saudável ainda consome a maior parte do salário mínimo. Um estudo recente do Instituto Pacto Contra a Fome revela que o custo de uma cesta de alimentos ideal para uma família de até três pessoas atingiu R$ 1.224, valor que representa 80% do salário mínimo atual de R$ 1.518.
Para o trabalhador isabelense que depende dessa renda para cobrir todas as despesas do mês — como aluguel, transporte, água e luz —, os números mostram que o acesso a uma dieta equilibrada se tornou um verdadeiro malabarismo financeiro. O levantamento expõe que, embora alguns itens específicos como tomate e arroz tenham apresentado queda de preço em agosto, a tendência de longo prazo é de alta.
A análise aponta que os alimentos in natura — base de uma dieta saudável, incluindo frutas, legumes, verduras, cereais, ovos e carnes frescas — foram os que mais pesaram no bolso, com uma alta acumulada de 7,84% nos últimos 12 meses. Esse aumento contínuo e estrutural afeta diretamente a mesa das famílias em Santa Isabel, que se veem forçadas a fazer escolhas difíceis nos supermercados e feiras da cidade.
O estudo, que utiliza a cesta NEBIN (Norte e Nordeste do Brasil Inquérito de Nutrição), calculada por pesquisadores da Unifesp e USP, serve como um termômetro preciso do impacto da inflação de alimentos na vida da população de baixa renda. A metodologia busca definir um padrão de consumo que seja nutricionalmente adequado, evidenciando o abismo entre o custo ideal de vida e a renda da maior parte dos brasileiros.
Enquanto a inflação oficial recua, impulsionada por outros setores, o custo dos alimentos essenciais permanece como o principal desafio para a segurança alimentar das famílias. Em Santa Isabel, essa pressão sobre o orçamento doméstico reforça a necessidade de um debate sobre políticas de renda e de acesso a alimentos de qualidade a preços justos, para que comer bem não seja um privilégio, mas um direito garantido.
