Para muitos comerciantes e prestadores de serviços de Santa Isabel, o cartão de crédito deixou de ser apenas um meio de receber pagamentos dos clientes para se tornar uma perigosa ferramenta de capital de giro. Uma pesquisa recente, conduzida pelo Sebrae em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE), revela que 43% dos pequenos negócios no país utilizam essa modalidade para cobrir despesas operacionais do dia a dia. O dado acende um alerta para a saúde financeira do empreendedorismo local, muitas vezes refém das altas taxas de juros do rotativo.
O levantamento, intitulado "Hábitos Financeiros dos Pequenos Negócios", ouviu mais de 6,2 mil empreendedores e traçou um panorama da evolução dos pagamentos entre 2022 e 2025. Embora o cartão de crédito mantenha um patamar elevado de uso, o estudo destacou o crescimento expressivo dos boletos bancários, que saltaram de 27% para 46% na preferência das empresas para gerir suas contas.
A armadilha da facilidade
A praticidade do cartão corporativo — ou muitas vezes o uso equivocado do cartão pessoal do dono para contas da empresa — esconde riscos que podem comprometer a longevidade do negócio. O Sebrae aponta que a falta de previsibilidade das faturas e o custo do crédito rotativo transformam essa solução imediata em uma bola de neve.
Diferente de linhas de crédito estruturadas, onde há prazo e taxas definidas para investimento (como compra de maquinário ou reforma), o uso do cartão para "tapar buracos" no fluxo de caixa costuma corroer a margem de lucro. O financiamento de bens e equipamentos, uma modalidade mais saudável para o crescimento, também registrou alta, passando de 35% para 42% no período analisado, indicando uma lenta, mas progressiva, profissionalização da gestão financeira.
Alternativas ao endividamento
Para fugir dos juros altos do mercado tradicional, o caminho apontado por especialistas passa pela busca de crédito assistido. O Sebrae tem intensificado a divulgação de instrumentos como o Fundo de Aval para Micro e Pequenas Empresas (Fampe). Esse mecanismo funciona como um garantidor para o empresário que não possui bens para oferecer aos bancos, permitindo que o Sebrae avalize até 80% do valor do empréstimo.
Outra alternativa que ganha força é o Programa Acredita, uma iniciativa do governo federal apoiada pela instituição, desenhada para facilitar o acesso a recursos com taxas mais competitivas e orientação técnica. O objetivo é que o crédito seja utilizado para alavancar o negócio — comprando estoque melhor ou ampliando a capacidade produtiva — e não apenas para pagar dívidas passadas.
Dever de casa
A recomendação para os empresários de Santa Isabel é clara: separar as finanças pessoais das jurídicas continua sendo o primeiro passo para a sobrevivência. Empresas que planejam o uso do crédito, comparam taxas entre instituições e evitam soluções emergenciais tendem a apresentar maior resistência a crises econômicas. Antes de passar o cartão para pagar uma conta da loja, a orientação é buscar consultoria especializada para entender se não há dinheiro mais barato disponível no mercado.

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