Promessas de cura, vídeos manipulados e declarações falsamente atribuídas a médicos estão entre os recursos identificados pelo relatório “Raio-X da Desinformação em Saúde”, produzido pelo Observatório Lupa. Das 764 alegações examinadas, 667 foram classificadas como falsas, o equivalente a 87,3%.
Divulgado em 19 de outubro, o estudo reúne afirmações extraídas de 498 checagens publicadas entre 2017 e 30 de junho de 2026. O trabalho recebeu apoio da Afya, grupo de educação médica.
O QUE OS NÚMEROS REPRESENTAM
O percentual descreve o material selecionado para verificação pela agência. Não significa que 87,3% de todas as informações sobre saúde disponíveis nas redes sociais sejam falsas.
Também há uma diferença entre alegações e checagens: uma mesma publicação pode conter várias afirmações, examinadas separadamente pelos verificadores.
FALSAS AUTORIDADES E PROMESSAS DE CURA
Segundo o relatório, a desinformação utiliza a aparência de autoridade científica, o medo e a distorção de pesquisas para dar credibilidade a mensagens enganosas.
Receitas caseiras e tratamentos apresentados como milagrosos passaram a dividir espaço com anúncios pagos e vídeos manipulados por inteligência artificial. As ferramentas mudaram, mas os mecanismos de convencimento permaneceram semelhantes ao longo do período analisado.
WHATSAPP APARECE NAS VERIFICAÇÕES
O WhatsApp esteve presente em 70,5% das checagens. Esse dado, porém, não permite afirmar que o aplicativo seja a origem dessas falsidades ou concentre a maior parte da desinformação em saúde na internet.
A Lupa recebe sugestões de verificação pelo próprio aplicativo, o que influencia o conjunto de conteúdos que chega à agência. Além disso, uma mensagem pode circular por diferentes plataformas antes de ser checada.
IMAGEM CONHECIDA NÃO GARANTE AUTENTICIDADE
Conforme reportagem da Agência Brasil sobre o levantamento, ao menos 142 conteúdos analisados mencionavam figuras públicas.
A presença dessas pessoas não significa que tenham criado ou endossado as mensagens. Imagens e reputações também podem ser utilizadas por terceiros para conferir uma aparência de confiança a informações falsas.
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