Um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV) revela que 6,5 milhões de pessoas deixaram a condição de pobreza no Brasil entre 2022 e 2024. O estudo, que define a linha de pobreza com base no critério do Banco Mundial de renda per capita inferior a R$ 696 mensais, aponta que mais de um terço dessa expressiva redução se concentrou na região Nordeste. Enquanto os dados macroeconômicos indicam um avanço nacional, a análise da situação em Santa Isabel exige um olhar sobre os mecanismos locais de proteção social, que são fundamentais para que o município acompanhe essa tendência.
O reflexo local desse movimento pode ser medido pela capilaridade dos programas de transferência de renda federais. Em Santa Isabel, o Cadastro Único (CadÚnico), porta de entrada para benefícios sociais, funciona como um termômetro da vulnerabilidade. Dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome mostram a relevância desses programas para a cidade, onde milhares de famílias dependem do auxílio para garantir a segurança alimentar e complementar a renda.
A força de programas como o Bolsa Família é um fator determinante para a mitigação da pobreza no município. A injeção de recursos por meio desses benefícios não apenas oferece um suporte direto aos mais necessitados, mas também movimenta a economia local, especialmente o pequeno comércio nos bairros. O estudo da FGV, aliás, sugere que a reformulação de programas sociais, aliada a uma melhora gradual no mercado de trabalho, foram os principais vetores para a queda da pobreza no período analisado.
Ainda que o Sudeste não seja o protagonista na redução da pobreza nacional destacada pelo IBRE/FGV, a estrutura de proteção social em municípios como Santa Isabel é o que permite que os avanços nas políticas públicas federais cheguem efetivamente à população local. O desafio para a gestão municipal é, portanto, atuar em conjunto com essas políticas, ao fortalecer a rede de assistência social e criar oportunidades de emprego e renda que permitam a emancipação das famílias em situação de vulnerabilidade.
