Um levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que trabalhadores por aplicativo estão enfrentando jornadas significativamente mais longas do que a média estadual, apesar de registrarem rendimentos superiores. A pesquisa, que integra o módulo de trabalho por conta própria da PNAD Contínua, mostra que motoristas e entregadores da cidade chegam a atuar até 12 horas por dia para garantir estabilidade financeira.
Segundo os dados oficiais, o rendimento médio mensal dos trabalhadores por aplicativo no estado de São Paulo é de R$ 2.614, valor superior ao de outras categorias informais. No entanto, esse ganho está diretamente relacionado à carga horária elevada e à ausência de direitos trabalhistas como férias, 13º salário e previdência. Em Santa Isabel, a realidade acompanha essa tendência, com jornadas que ultrapassam 60 horas semanais.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, em nota oficial, reconhece o crescimento acelerado do setor e aponta que a flexibilização contratual tem gerado impactos sociais relevantes. Em Santa Isabel, o número de trabalhadores cadastrados em plataformas de entrega e transporte aumentou 28% entre 2022 e 2024, segundo dados da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana.
O estudo do IBGE também destaca que 59,9% dos trabalhadores por aplicativo no Brasil são pretos ou pardos, e 63,3% têm até o ensino médio completo. Em Santa Isabel, a distribuição segue padrão semelhante, com predominância de jovens entre 20 e 35 anos atuando em motocicletas ou veículos próprios, muitas vezes sem cobertura de seguro ou assistência técnica.
Especialistas em economia do trabalho alertam que, embora o modelo ofereça autonomia e flexibilidade, ele também impõe riscos significativos à saúde física e mental dos profissionais. No país, unidades de saúde registraram aumento de queixas relacionadas a estresse, dores musculares e ansiedade entre trabalhadores do setor.

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