O calendário de 2026 promete empolgar quem gosta de folgas prolongadas, mas também acende um alerta para parte da economia. Dos dez feriados nacionais previstos para o ano, nove vão cair em dias úteis, abrindo espaço para emendas com fins de semana, além de coincidirem com eventos como Copa do Mundo e eleições.
O setor de turismo acompanha esse cenário com expectativa positiva. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a projeção é de faturamento de R$ 218,77 bilhões apenas na alta temporada do verão, entre dezembro de 2025 e fevereiro. Se confirmado, o valor representará um crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior e um novo recorde histórico para o segmento.
Na outra ponta, o comércio varejista tende a sentir os efeitos das paralisações. Em São Paulo, considerando também os feriados estaduais e municipais, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo estima que o setor deixe de faturar cerca de R$ 17 bilhões ao longo de 2026. O impacto representa uma alta de 13,9% nas perdas em comparação com 2025, com previsão de até 16 dias sem atividade comercial plena.
De acordo com a entidade, lojas localizadas em regiões centrais e comerciais costumam fechar durante os feriados, o que afeta não apenas grandes redes, mas principalmente pequenos empreendedores. Compras por impulso, gastos cotidianos e deslocamentos também diminuem, reduzindo o consumo de itens como combustíveis, vestuário e produtos de farmácia.
Apesar disso, especialistas destacam que há uma redistribuição do consumo. Durante feriados, cresce a movimentação em bares, restaurantes, hotéis e destinos turísticos, transferindo parte da renda do varejo tradicional para o setor de serviços.
Para minimizar os prejuízos, a orientação é que comerciantes apostem em estratégias alternativas, como promoções em dias úteis, condições especiais de pagamento e fortalecimento das vendas online. O comércio digital, por meio de redes sociais, marketplaces e sites próprios, surge como uma ferramenta importante para manter o faturamento mesmo em períodos de menor circulação nas lojas físicas.

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