A possível aprovação do fim da escala de trabalho 6x1 pode provocar o fechamento de até 638,7 mil empregos formais no Brasil. A estimativa consta em nota técnica do Centro de Liderança Pública (CLP) e reacende o debate sobre os impactos econômicos da proposta que tramita no Congresso Nacional.
A medida está prevista na PEC 8/2025, que aguarda a designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. A proposta tem apoio de parte dos parlamentares como forma de reduzir a exaustão dos trabalhadores e melhorar a qualidade de vida.
Por outro lado, o estudo do CLP aponta risco de aumento dos custos operacionais para as empresas, com possíveis efeitos sobre a geração de empregos e a atividade econômica.
Segundo a análise, os setores mais afetados seriam agropecuária, comércio e construção civil. Nesses segmentos, a perda média de produtividade estimada é de 1,3%, o que poderia resultar no fechamento de 1,6% dos postos de trabalho formais.
Em números absolutos, o levantamento projeta:
— Agropecuária: fechamento de 28,3 mil vagas
— Comércio: 164 mil vagas
— Construção: 45,7 mil vagas
— Indústria de transformação: 120,5 mil vagas
A indústria de transformação também aparece entre os setores mais sensíveis, com perda estimada de produtividade de 1,2%.
O documento ainda calcula que a redução da jornada — caso ocorra sem diminuição proporcional dos salários — pode elevar automaticamente o custo do trabalho por hora. Segundo o CLP, algumas empresas poderiam absorver o impacto por meio de reorganização interna e ganhos de eficiência, mas outras poderiam enfrentar compressão de margens, repasse de custos aos preços ou redução do nível de emprego.
Com base no Produto Interno Bruto (PIB) projetado para 2025, a nota técnica estima perda de aproximadamente R$ 88 bilhões em atividade econômica.
O debate sobre o fim da escala 6x1 tem ganhado força no Congresso e também provocado reação de entidades do setor produtivo, que defendem que qualquer mudança seja acompanhada de medidas de compensação de produtividade.
Para trabalhadores e empregadores de Santa Isabel — especialmente do comércio, um dos setores mais sensíveis — a discussão é acompanhada com atenção, já que eventuais mudanças na legislação podem impactar diretamente jornadas, custos e oferta de vagas na região.
A proposta segue em tramitação na Câmara e ainda não há prazo definido para votação.

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