O debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 8/25), que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais, acendeu um sinal de alerta entre os empreendedores de Santa Isabel. Dados recentes divulgados pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e pela FecomercioSP indicam que, sem um planejamento prévio, a medida pode elevar o custo do trabalho em 37,5%, impactando diretamente a sobrevivência de pequenos negócios que formam a base da economia isabelense.
A proposta, que tramita na Câmara dos Deputados, sugere um modelo de quatro dias de trabalho por três de descanso, sem redução salarial. Embora o texto vise o bem-estar do trabalhador, a análise técnica das entidades aponta para um efeito colateral severo em cidades do interior, onde o setor de serviços e o comércio varejista são os maiores empregadores.
O peso para o pequeno empresário
Em Santa Isabel, caracterizada por uma forte presença de comércios familiares e prestadores de serviços, a preocupação gira em torno da capacidade de manter as portas abertas. Segundo o levantamento da FecomercioSP, a redução da jornada obrigaria muitos estabelecimentos a contratar funcionários adicionais para cobrir os turnos vagos, elevando a folha de pagamento entre 18% e 27%.
Para o pequeno empregador — responsável por cerca de 60% dos postos de trabalho formais no país — essa conta pode não fechar. O estudo alerta que o repasse desses custos é inevitável, o que deve encarecer o preço final de produtos e serviços para o consumidor local. Em um cenário mais crítico, a CACB aponta o risco de migração para a informalidade ou até o fechamento de empresas que operam com margens de lucro apertadas.
Setores mais atingidos
A análise setorial mostra que a mudança na legislação atingiria em cheio a estrutura econômica da região. A agricultura, fundamental para o cinturão verde ao redor de Santa Isabel, tem 92% de seus profissionais atuando no regime atual. Na construção civil, setor aquecido na cidade, o índice é de 91%. Já no varejo, que movimenta o centro da cidade, 89% dos vínculos dependem da escala atual.
A impossibilidade de cumprir prazos e a necessidade de reduzir o horário de funcionamento são consequências diretas apontadas pelos empresários ouvidos na pesquisa nacional, que reflete a realidade local.
Produtividade x Realidade
Um dos argumentos centrais contra a aplicação imediata da PEC é a disparidade de produtividade. Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB, classifica a medida como "populista" se não for acompanhada de contrapartidas estruturais. A entidade destaca que, enquanto países desenvolvidos conseguem operar com jornadas menores devido à alta tecnologia e eficiência, o Brasil ainda enfrenta gargalos de infraestrutura e qualificação.
A comparação é dura: um trabalhador brasileiro leva, em média, uma hora para produzir o que um norte-americano faz em 15 minutos. Sem investimentos prévios em educação e tecnologia, a redução forçada da jornada pode, paradoxalmente, diminuir a competitividade das empresas isabelenses.
O risco do "tiro no pé"
Outro ponto levantado por especialistas, como o economista Sillas Souza, da Unicamp, é o efeito reverso sobre a qualidade de vida do trabalhador. Com três dias de folga, há uma tendência de busca por um segundo emprego para complementar a renda, resultando em jornadas exaustivas de até 72 horas semanais. Além disso, o aumento da oferta de mão de obra por quem busca "bicos" nos dias livres pode pressionar os salários médios para baixo.
As entidades defendem que, antes de alterar a Constituição, o país precisa avançar em pautas como a redução da carga tributária e a desburocratização — temas urgentes para quem gera emprego e renda em Santa Isabel.

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