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Quarta-feira, 07 de Outubro 2026
POLÍTICA

Flávio e Lula miram 9 milhões de votos de derrotados e 8 milhões que não votaram no Nordeste

Candidatos buscam ampliar eleitorado após diferença de 1,87 ponto no primeiro turno; 33,4 milhões de brasileiros não votaram

Flávio e Lula miram 9 milhões de votos de derrotados e 8 milhões que não votaram no Nordeste
Sergio Lima - 11.set.26/AFP
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Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegam ao segundo turno da eleição presidencial de 2026 diante de dois grandes grupos de eleitores que podem alterar a distribuição dos votos em relação ao primeiro turno: os mais de 9,3 milhões de brasileiros que escolheram outros candidatos e os 33,4 milhões que não compareceram às urnas.

Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo nesta terça-feira (6), as campanhas adotam estratégias diferentes para tentar ampliar seus eleitorados antes da votação decisiva, marcada para 25 de outubro. Flávio busca principalmente conquistar eleitores dos candidatos derrotados identificados com a direita, enquanto a campanha de Lula procura, entre outras frentes, reduzir a abstenção, especialmente em regiões onde o presidente obteve maior votação no primeiro turno.

A disputa ocorre após o primeiro turno registrar a menor diferença percentual entre os dois primeiros colocados em uma eleição presidencial desde a redemocratização. Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%. A diferença foi de 1,87 ponto percentual. Os demais candidatos somaram 7,81% dos votos válidos.

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MAIS DE 9,3 MILHÕES VOTARAM EM OUTROS CANDIDATOS

Os candidatos que ficaram fora do segundo turno receberam, juntos, mais de 9,3 milhões de votos.

Entre eles estão Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), nomes que a Folha classifica como integrantes do segundo e do terceiro pelotão da disputa presidencial.

A transferência desses votos, entretanto, não ocorre automaticamente. A declaração de apoio de um candidato derrotado não significa que seus eleitores necessariamente seguirão a mesma orientação.

Romeu Zema e Ronaldo Caiado declararam preferência por Flávio Bolsonaro no segundo turno. Já Augusto Cury e Renan Santos, os dois candidatos mais votados entre aqueles que ficaram fora da disputa final, não declararam apoio a nenhum dos dois finalistas até a publicação da reportagem.

São Paulo concentra a maior quantidade desses votos. Aproximadamente 2,5 milhões de paulistas escolheram outros candidatos à Presidência, número equivalente a 9,86% dos votos válidos no estado.

Minas Gerais aparece na sequência, com cerca de 1 milhão de votos destinados aos demais presidenciáveis, correspondentes a 8,41% dos votos válidos. No Rio de Janeiro, foram aproximadamente 700 mil, ou 7,65%.

Em termos proporcionais, Goiás foi o estado com maior participação da terceira via: 13,83% dos votos válidos foram destinados a candidatos que não chegaram ao segundo turno.

No Distrito Federal, esse grupo recebeu 10,59% dos votos.

SUL SOMOU 1,5 MILHÃO DE VOTOS FORA DOS FINALISTAS

Nos três estados da região Sul — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — os candidatos que ficaram fora do segundo turno reuniram aproximadamente 1,5 milhão de votos.

Esse contingente representou cerca de 8% dos votos válidos da região no primeiro turno.

Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula nos três estados, mas a redistribuição dos votos dos candidatos eliminados dependerá da decisão individual dos eleitores no segundo turno.

A mesma lógica se aplica às demais regiões. Além da possibilidade de escolher Flávio ou Lula, quem votou em outro candidato no primeiro turno poderá votar em branco, anular o voto ou não comparecer.

ABSTENÇÃO CHEGOU A 33,4 MILHÕES

Outro grupo acompanhado pelas campanhas é formado pelos eleitores que não compareceram às urnas.

O primeiro turno registrou 33,4 milhões de ausentes, segundo os dados apresentados pela Folha. A taxa nacional de abstenção chegou a 21,08%, estabelecendo um recorde para a disputa.

A campanha de Lula passou a tratar a redução desse contingente como uma das frentes para o segundo turno.

No dia seguinte à votação, o presidente mencionou publicamente a necessidade de compreender os motivos que levaram milhões de brasileiros a não participar da eleição.

A estratégia, porém, enfrenta uma limitação importante: ainda não estão disponíveis dados detalhados sobre o perfil de todos os eleitores que se abstiveram no primeiro turno de 2026.

Análises sobre o possível comportamento desse grupo precisam, portanto, ser tratadas como hipóteses, e não como uma transferência previsível de votos para qualquer candidato.

NORDESTE TEVE 8 MILHÕES DE AUSENTES

O Nordeste concentra uma parcela relevante desse eleitorado: aproximadamente 8 milhões de pessoas aptas a votar na região não compareceram no primeiro turno.

A Bahia registrou cerca de 2,2 milhões de ausentes, correspondentes a 19,97% do eleitorado do estado.

Em Pernambuco, aproximadamente 1,3 milhão de eleitores não compareceu, uma taxa de 18,17%.

Ceará e Maranhão também tiveram mais de 1 milhão de ausentes cada.

Apesar dos números elevados, Bahia e Pernambuco registraram percentuais de abstenção inferiores à média nacional de 21,08%.

A tentativa de ampliar o comparecimento no Nordeste ganha relevância para a campanha de Lula por se tratar de uma região onde o petista possui historicamente resultados eleitorais expressivos. Isso, contudo, não permite afirmar como os eleitores ausentes votariam caso decidam comparecer no segundo turno.

SÃO PAULO TEVE MAIS DE 7,6 MILHÕES DE AUSENTES

Fora do Nordeste, os três maiores colégios eleitorais brasileiros também registraram os maiores contingentes de eleitores ausentes.

Em São Paulo, mais de 7,6 milhões de pessoas não votaram, o equivalente a 22,5% do eleitorado apto.

Minas Gerais registrou aproximadamente 3,7 milhões de ausentes, ou 22,8%.

No Rio de Janeiro, cerca de 2,9 milhões de eleitores não compareceram, representando 23,3% do eleitorado.

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula nos três estados.

Uma particularidade poderá influenciar o comparecimento em parte desses locais no segundo turno: disputas estaduais já definidas podem reduzir o número de cargos em votação.

Em São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, as eleições para governador foram decididas no primeiro turno. Assim, parte dos eleitores voltará às urnas exclusivamente para escolher o presidente.

PERFIL DOS AUSENTES AINDA NÃO ESTÁ DISPONÍVEL

A reportagem da Folha ressalta que ainda não há informações detalhadas sobre o perfil de quem deixou de votar em 2026.

Dados das eleições de 2022 mostram que, naquele pleito, a ausência foi proporcionalmente maior entre determinados grupos, como eleitores com menor escolaridade.

Entre os analfabetos, a abstenção chegou a 52% no primeiro turno de 2022 e a 49,3% no segundo. Entre os eleitores com ensino superior completo, foi de 12,4% no primeiro turno.

Também houve maior presença de homens entre os ausentes e índices elevados nas faixas de 21 a 29 anos e acima dos 70 anos. Para pessoas com mais de 70 anos, o voto é facultativo.

Esses dados, porém, são referentes a 2022 e não podem ser automaticamente aplicados ao comportamento eleitoral de 2026.

DISPUTA TAMBÉM PASSA PELO ELEITORADO NO EXTERIOR

Entre os brasileiros aptos a votar fora do país, a abstenção foi ainda maior.

Segundo os números apresentados pela Folha, 62% dos eleitores registrados no exterior não votaram no primeiro turno, aproximadamente 574 mil pessoas.

Entre os votos válidos registrados fora do Brasil, Lula recebeu 47%, Flávio Bolsonaro, 43%, e os demais candidatos somaram aproximadamente 9%.

Assim como ocorre no território nacional, tanto os votos destinados aos candidatos eliminados quanto o eventual comparecimento de quem não votou representam parcelas do eleitorado cujo comportamento permanece indefinido para o segundo turno.

SEGUNDO TURNO SERÁ EM 25 DE OUTUBRO

Flávio Bolsonaro e Lula voltarão a se enfrentar nas urnas no domingo, 25 de outubro.

O primeiro turno terminou com diferença de apenas 1,87 ponto percentual entre os dois candidatos, enquanto mais de 9,3 milhões de votos válidos foram destinados aos demais concorrentes e 33,4 milhões de eleitores não compareceram.

Esses números ajudam a dimensionar o universo de eleitores que as campanhas tentarão alcançar nas próximas semanas, mas não permitem prever como esses votos serão distribuídos.

Até o segundo turno, apoios partidários, estratégias regionais, participação dos eleitores e decisões individuais poderão alterar a composição da votação em relação ao resultado registrado em 4 de outubro.

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