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Terça-feira, 18 de Agosto 2026
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Magreza extrema de celebridades reacende alerta sobre padrões de beleza nas redes

Aparições de atrizes e outras personalidades com corpos cada vez mais magros alimentam discussão sobre uma possível mudança do padrão estético e os efeitos dessa exposição sobre a percepção corporal, especialmente entre mulheres e jovens.

Magreza extrema de celebridades reacende alerta sobre padrões de beleza nas redes
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Corpos extremamente magros voltaram a ocupar espaço entre celebridades, passarelas e redes sociais e reacenderam uma discussão que parecia ter perdido força após anos de valorização da diversidade corporal: estaria a magreza extrema novamente se transformando em um padrão desejável?

Uma publicação repercutida pelo MSN chama atenção justamente para a percepção de que diversas celebridades aparecem recentemente muito mais magras. Mais importante do que analisar individualmente o corpo de uma atriz ou cantora, entretanto, é compreender o fenômeno cultural provocado pela repetição dessas imagens.

Não é possível determinar a condição de saúde de uma pessoa por fotografias, tampouco atribuir seu emagrecimento ao uso de medicamentos, dietas ou transtornos alimentares sem informações confirmadas. O debate relevante está em outro ponto: o que acontece quando um determinado tipo de corpo passa a aparecer repetidamente associado a beleza, sucesso, glamour e prestígio?

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A preocupação não é nova.

Durante diferentes períodos, a indústria da moda e do entretenimento estabeleceu referências corporais que depois se espalharam pela sociedade. Nos anos 1990, por exemplo, a estética conhecida como "heroin chic" ficou marcada por modelos extremamente magras, aparência frágil e silhuetas muito reduzidas.

Nas décadas seguintes, o padrão mudou. Corpos mais curvilíneos ganharam espaço e movimentos de aceitação corporal e diversidade passaram a questionar a imposição de um único modelo de beleza.

Agora, a percepção de uma nova mudança volta a provocar discussão.

A MAGREZA VOLTOU ÀS PASSARELAS

O fenômeno não está restrito às celebridades.

Dados publicados pela Folha de S.Paulo em abril ajudam a dimensionar o que ocorre na indústria da moda. Dos 7.817 looks apresentados em 182 desfiles da temporada outono/inverno de 2026 analisados pelo relatório de inclusividade de tamanhos da Vogue Business, 97,6% estavam entre os tamanhos 0 e 4 dos Estados Unidos, aproximadamente equivalentes aos números 34 a 38 no Brasil.

Ou seja: apesar do discurso de diversidade corporal que ganhou força nos últimos anos, as passarelas continuam amplamente concentradas em corpos muito magros.

A exposição repetitiva importa porque celebridades, modelos e influenciadores não aparecem apenas em filmes ou revistas. Hoje, essas imagens acompanham as pessoas durante praticamente todo o dia.

Estão no Instagram, TikTok, vídeos, publicidade, páginas de entretenimento e algoritmos que repetem conteúdos semelhantes conforme o interesse demonstrado pelo usuário.

O CORPO DA CELEBRIDADE NÃO É UMA REFERÊNCIA SIMPLES

Existe ainda uma diferença importante entre aquilo que aparece nas telas e a realidade cotidiana.

Celebridades podem dispor de nutricionistas, médicos, treinadores, procedimentos estéticos, equipes de maquiagem, iluminação profissional, roupas escolhidas especificamente para determinada aparição e recursos financeiros inacessíveis à maior parte da população.

Mesmo assim, a imagem final frequentemente chega às redes sem todo esse contexto.

O resultado pode ser a impressão de que aquele corpo é uma condição natural e facilmente alcançável.

Esse é um dos pontos levantados por especialistas ouvidos pela Folha. O pesquisador Rodrigo Sanches observa que corpos exibidos em tapetes vermelhos são produzidos esteticamente para aquele momento e acabam funcionando como uma espécie de vitrine.

Quando essa distinção desaparece, aumenta o risco de comparação entre realidades completamente diferentes.

CANETAS EMAGRECEDORAS MUDARAM O DEBATE

Há ainda um elemento relativamente novo nessa discussão: a popularização dos medicamentos utilizados para perda de peso.

Fármacos originalmente desenvolvidos ou indicados para determinadas condições médicas ganharam enorme visibilidade por seus efeitos sobre o peso corporal.

Isso ajudou a transformar a própria percepção social sobre emagrecimento.

Mas seria incorreto concluir que uma celebridade utiliza esses medicamentos apenas porque emagreceu. A causa de uma perda de peso não pode ser determinada pela aparência.

O que pode ser analisado é o impacto cultural provocado pela existência de métodos capazes de produzir reduções significativas de peso e pela enorme exposição que esses tratamentos passaram a receber.

Quando emagrecer rapidamente começa a parecer algo comum, o parâmetro do que é considerado um corpo "normal" também pode mudar.

QUANDO A REFERÊNCIA SE TORNA COMPARAÇÃO

É nesse ponto que uma tendência aparentemente distante de Santa Isabel ou da realidade de uma família comum passa a interessar diretamente ao leitor.

Uma adolescente não precisa viver em Hollywood para ser exposta ao padrão corporal de Hollywood.

O celular eliminou essa distância.

Fotos de atrizes, cantoras, modelos e influenciadoras chegam diariamente às telas e podem funcionar como referências de beleza para pessoas que possuem genética, rotina, renda e acesso a recursos completamente diferentes.

A exposição isolada a uma fotografia dificilmente explica sozinha a maneira como alguém percebe o próprio corpo. O problema está na repetição e na construção de um padrão.

Se praticamente todas as imagens consideradas desejáveis mostram mulheres cada vez mais magras, existe o risco de que características corporais absolutamente comuns passem a ser percebidas como defeitos.

A psicóloga Vera Iaconelli Kehl, ouvida pela Folha em reportagem sobre o tema, chama atenção para o peso histórico dessa cobrança sobre as mulheres. Segundo ela, o corpo feminino é mais frequentemente vigiado, avaliado e associado ao valor social.

REDES SOCIAIS AMPLIFICAM UM FENÔMENO ANTIGO

A pressão estética existia muito antes da internet.

A diferença está na intensidade.

Uma revista era aberta algumas vezes. Um programa de televisão tinha horário para começar e terminar. Já as redes sociais acompanham o usuário permanentemente e utilizam algoritmos capazes de reforçar conteúdos semelhantes aos que despertaram sua atenção anteriormente.

Uma pessoa que começa a consumir vídeos sobre emagrecimento, dieta, exercícios ou transformações corporais pode passar a receber cada vez mais conteúdos relacionados ao assunto.

Com isso, aquilo que inicialmente parecia excepcional pode começar a parecer comum.

E a percepção do próprio corpo também pode ser afetada.

O problema se torna ainda mais delicado entre crianças e adolescentes, que estão construindo referências sobre aparência, pertencimento e autoestima enquanto convivem com uma quantidade de imagens corporais sem precedentes.

NEM MAGREZA É DOENÇA, NEM APARÊNCIA PERMITE DIAGNÓSTICO

A discussão também exige cuidado para não produzir o problema inverso.

Ser naturalmente muito magro não significa estar doente.

Da mesma maneira, não é adequado observar fotografias de uma celebridade e concluir que ela apresenta anorexia, utiliza medicamentos para emagrecer ou enfrenta qualquer outra condição de saúde.

Diagnósticos não podem ser realizados pela aparência.

Também não cabe transformar corpos de mulheres famosas em objetos permanentes de fiscalização pública, exatamente uma das práticas que historicamente contribuíram para a pressão estética.

O debate sobre padrões corporais precisa, portanto, evitar tanto a glorificação da magreza extrema quanto a hostilidade contra pessoas magras.

A questão central não é determinar qual corpo é certo.

É justamente questionar por que a sociedade continua procurando um único corpo para considerar ideal.

UM PADRÃO MUDA, MAS A COBRANÇA PERMANECE

A história recente mostra que padrões estéticos são cíclicos.

Em determinados momentos, valorizaram-se corpos extremamente magros. Depois vieram curvas acentuadas, musculatura definida, cinturas muito estreitas e diferentes combinações transformadas em tendências.

O corpo humano, entretanto, não muda na mesma velocidade da moda.

É justamente aí que surge uma contradição: roupas, cabelos e maquiagem podem acompanhar tendências com relativa facilidade; anatomia não deveria funcionar como uma peça de uma coleção que precisa ser substituída a cada temporada.

Quando o próprio corpo passa a ser tratado como tendência, pessoas são pressionadas a modificar características naturais para acompanhar um ideal que provavelmente voltará a mudar.

Por isso, a discussão provocada pelas imagens recentes das celebridades vai muito além de saber por que determinadas estrelas emagreceram.

O fenômeno levanta uma questão mais próxima da vida cotidiana: depois de anos de avanços no discurso sobre diversidade corporal, estamos novamente estreitando aquilo que aceitamos como um corpo considerado bonito?

E, principalmente, qual será o impacto dessa mudança sobre uma geração que não acompanha esses padrões apenas nas revistas ou na televisão, mas carrega essas imagens no bolso durante praticamente todas as horas do dia?

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