O Mercado Livre, maior marketplace do País, está reconfigurando o varejo brasileiro, segundo reportagem do Estadão. Com faturamento estimado de R$ 185 bilhões em 2025, considerando vendas de produtos próprios e de terceiros, a plataforma detém entre 6% e 7% do comércio como um todo.
Analistas ouvidos pelo jornal apontam a empresa como a que melhor acompanhou a transformação do varejo depois da pandemia e a que mais herdou mercado deixado por redes que pediram recuperação judicial. Fundada em 1999 em Buenos Aires, a companhia acaba de anunciar a venda de medicamentos com receita médica, por meio de acordo com redes de farmácias. A operação deve começar neste mês na Grande São Paulo, com 20 redes parceiras, e a meta é cobrir toda a Região Metropolitana até o fim do ano.
Após o anúncio, ações de grandes redes de farmácias caíram na Bolsa. Provocada pela Associação Brasileira de Farmácia e Drogarias (Abrafarma), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) notificou o Mercado Livre para obter esclarecimentos sobre a regularidade da empresa para esse tipo de atividade.
Hoje são 13 categorias de produtos, de eletroeletrônicos a mudas de plantas e veículos, além da oferta de serviços, como pneu com instalação e montagem de móveis. A empresa também prepara entregas em até uma hora, o “Envios Agora”, para itens de até 15 quilos, recolhidos com o vendedor e levados direto ao comprador, sem passar por centro de distribuição, em algumas regiões da capital paulista e com vendedores selecionados.
A vice-presidente de marketplace da empresa no Brasil, Roberta Donato, disse ao Estadão que ainda há “saltos importantes” a dar em vários tipos de produto e reconheceu dificuldade na venda de alimentos in natura. Para o cofundador do Instituto Retail Think Tank (IRTT), Eduardo Terra, o movimento deve levar o marketplace a conquistar espaço em segmentos que exigem urgência, como alimentos, remédios e rações.
Casas Bahia e Magalu, rivais que nasceram no varejo físico, passaram a vender também pela plataforma. Segundo Terra, 15% das vendas do varejo estão com marketplaces, e o Mercado Livre responde por 6% a 7% desse total; em eletrônicos, a empresa já detém metade das vendas do varejo online. A companhia faturou em 2025 mais que o dobro da Shopee, segunda colocada, que vendeu R$ 70 bilhões, de acordo com ranking do IRTT.
Em março, o Mercado Livre anunciou R$ 57 bilhões em investimentos no Brasil em 2026 e informou receita líquida de R$ 84,5 bilhões no País em 2025. O consultor afirma que o desafio agora é manter a liderança diante de Shopee, Amazon e TikTok, rivais mais capitalizados no exterior, enquanto o varejo tradicional precisa repensar a jornada de compra rápida, simples e com variedade.
As informações são do Estadão.
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