Três em cada dez brasileiros entre 15 e 64 anos não conseguem compreender frases simples, identificar preços ou ler números de telefone. Esse é o retrato preocupante do analfabetismo funcional no país, revelado pelo Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) 2024, que aponta um índice nacional de 29%. A taxa é a mesma registrada em 2018, o que indica estagnação mesmo após avanços em políticas educacionais.
Entre os jovens de 15 a 29 anos, o cenário também piorou: o percentual de analfabetos funcionais subiu de 14% em 2018 para 16% em 2024. Especialistas atribuem parte desse retrocesso ao fechamento das escolas durante a pandemia da Covid-19, período em que muitos estudantes ficaram sem acesso adequado ao ensino.
Na contramão desse panorama, os dados mais recentes do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de Santa Isabel, referentes ao ano de 2023, indicam que, apesar das dificuldades enfrentadas pelas redes públicas, o município apresenta desempenho acima da média nacional quando se trata da capacidade dos alunos de compreender e aplicar conteúdos de português e matemática.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, os estudantes isabelenses alcançaram nota 6,12 em português e 6,53 em matemática — níveis considerados satisfatórios segundo os parâmetros do Ministério da Educação. A taxa de aprovação foi de 100%, resultando em um Ideb de 6,3, superior à média brasileira para essa etapa de ensino.
Nos anos finais do fundamental, a queda é visível, mas ainda assim os números se mantêm acima do patamar mínimo de proficiência. A média em português ficou em 5,48 e, em matemática, 5,49. Com uma taxa de aprovação de 99%, o Ideb geral chegou a 5,4.
Já no ensino médio, etapa mais crítica da educação pública em todo o país, Santa Isabel segue a tendência nacional de queda de desempenho. A nota em português foi de 4,81 e, em matemática, de apenas 4,5. A aprovação caiu para 94%, e o Ideb final ficou em 4,4 — um alerta para a necessidade urgente de políticas específicas para essa fase escolar.
Apesar da queda no rendimento ao longo das etapas de ensino, os resultados do Ideb em Santa Isabel ainda se mostram melhores do que os níveis de alfabetização funcional encontrados no levantamento nacional. Isso indica que, mesmo com limitações, os estudantes da rede pública local estão, em média, em condições mais favoráveis de leitura e raciocínio lógico do que quase um terço da população brasileira.
A permanência na escola e a qualidade do ensino são fatores decisivos para mudar esse cenário. Em Santa Isabel, os dados mostram que há uma base sólida nos primeiros anos, mas que precisa ser sustentada até o fim da educação básica. Sem isso, o risco é que os jovens avancem de série sem as habilidades mínimas exigidas para compreender o mundo ao seu redor.
