Aguarde, carregando...

Quarta-feira, 03 de Junho 2026
Notícias/Prestação de Serviços

Brasil perde quase 40% da água tratada antes de ela chegar aos consumidores

As perdas físicas registradas em 2024 alcançaram aproximadamente 4,4 bilhões de metros cúbicos de água

Brasil perde quase 40% da água tratada antes de ela chegar aos consumidores
Marcello Casal Jr
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

Enquanto cerca de 33 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável, o país perde 39,53% da água tratada durante o processo de distribuição. Isso significa que quase quatro em cada dez litros produzidos não chegam aos consumidores. 

Os dados fazem parte do "Estudo de Perdas de Água 2026 (SINISA, 2024): Desafios na Eficiência do Saneamento Básico no Brasil", elaborado pelo Instituto Trata Brasil (ITB) em parceria com a consultoria GO Associados. 

Segundo o levantamento, divulgado nesta terça-feira (2), as perdas físicas registradas em 2024 alcançaram aproximadamente 4,4 bilhões de metros cúbicos de água. O volume equivale ao desperdício diário de 4,8 mil piscinas olímpicas. 

Publicidade

Leia Também:

Em outra comparação, representa 16,2 milhões de caixas d'água suficientes para abastecer uma família de cinco pessoas por dia ou, ainda, 4,5 vezes o volume do Sistema Cantareira ao longo de um ano.

Durante o abastecimento, a água pode ser perdida por diferentes fatores, entre eles vazamentos nas redes, falhas de medição e consumos não autorizados.

Considerando apenas as perdas físicas, como os vazamentos, o volume desperdiçado seria suficiente para abastecer cerca de 77 milhões de brasileiros durante um ano.

O número corresponde a mais de um quarto da população do país em 2024 e supera em mais de duas vezes o contingente de pessoas sem acesso à água tratada, estimado em cerca de 33 milhões de habitantes.

O estudo também aponta que o mesmo volume poderia garantir abastecimento por dois anos aos 17,2 milhões de brasileiros que vivem em comunidades vulneráveis. Do ponto de vista ambiental, a redução dessas perdas permitiria ampliar a disponibilidade de recursos hídricos sem a necessidade de captar água em novos mananciais.

Redução avança lentamente

Apesar de uma leve melhora nos últimos anos, os índices de perdas seguem distantes da meta nacional de 25%. Em 2020, o percentual era de 40,14%. Em 2024, chegou a 39,53%.

Para a presidente do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, a evolução ocorre em ritmo insuficiente diante dos desafios enfrentados pelo país.

“No ano passado tínhamos uma perda de 40,3%, mas esse número tem reduzido numa velocidade muito lenta, o que demonstra que a gente precisa ser mais eficiente e priorizar mais esse tema da redução de perdas de água, principalmente num cenário onde a gente tem crise hídrica, onde a gente tem ondas de calores, secas cada vez mais recorrentes”, considera.

As diferenças regionais continuam expressivas. O estudo mostra que as regiões Norte e Nordeste concentram os maiores desafios tanto na redução das perdas quanto nos indicadores de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto.

Entre 2020 e 2024, a região Nordeste registrou a maior piora, com aumento de 0,46 ponto percentual. Já a região Norte apresentou a maior redução no período, com queda de 1,79 ponto percentual.

    Segundo Luana Pretto, o combate às perdas gera benefícios que vão além da preservação dos recursos hídricos.

    “Quando a gente reduz a perda, por exemplo, física, a gente capta menos água no rio, a gente usa menos produto químico para o tratamento, a gente usa menos energia elétrica para esse bombeamento da água, o que faz com que haja uma redução no custo operacional e uma melhor tarifa também paga pelo cidadão”, destaca.

    Diferenças entre os estados

    A comparação entre os estados evidencia desigualdades regionais e estruturais nos sistemas de abastecimento.

    Os maiores índices de perdas estão concentrados principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Alagoas lidera o ranking, com 66,90%, seguida por Roraima (65,97%), Pará (57,33%), Maranhão (56,68%), Acre (56,48%) e Sergipe (55,10%). Todos os percentuais estão bem acima da média nacional de 39,53%.

    Na outra ponta aparecem estados das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. O menor índice do país foi registrado no Piauí, com 24,61%. Em seguida aparecem Goiás (27,13%), Mato Grosso do Sul (30,60%), Distrito Federal (31,55%), Tocantins (31,58%), São Paulo (32,15%) e Paraná (33,40%).

    Ranking dos estados por perdas na distribuição

    • Piauí (24,61%)
    • Goiás (27,13%)
    • Mato Grosso do Sul (30,60%)
    • Distrito Federal (31,55%)
    • Tocantins (31,58%)
    • São Paulo (32,15%)
    • Paraná (33,40%)
    • Santa Catarina (34,97%)
    • Minas Gerais (35,29%)
    • Rio Grande do Sul (39,25%)
    • Amapá (39,27%)
    • Mato Grosso (40,01%)
    • Espírito Santo (40,64%)
    • Bahia (41,14%)
    • Amazonas (43,17%)
    • Pernambuco (43,44%)
    • Paraíba (44,00%)
    • Ceará (45,22%)
    • Rondônia (45,29%)
    • Rio Grande do Norte (47,06%)
    • Rio de Janeiro (50,53%)
    • Sergipe (55,10%)
    • Acre (56,48%)
    • Maranhão (56,68%)
    • Pará (57,33%)
    • Roraima (65,97%)
    • Alagoas (66,90%)

    Situação dos municípios

    Entre os municípios analisados, o índice médio de perdas foi de 35,56% em 2024, acima dos 31,09% registrados em 2023. Dos 99 municípios considerados, apenas 20 apresentaram perdas inferiores a 25%, enquanto 14 registraram índices superiores a 50%.

    Os melhores resultados concentram-se principalmente no Sudeste, que reúne 12 dos 20 municípios com menores perdas na distribuição. Suzano, em São Paulo, registrou apenas 1,27%, enquanto Santos ficou em 5,35%, ambos muito abaixo da média nacional.

    Já entre os piores desempenhos predominam cidades das regiões Norte e Nordeste. O destaque negativo é Parauapebas (PA), com 70,68%, seguida por Maceió, com 64,05%. Outras cidades também registram índices elevados, como Belo Horizonte (68,29%) e Várzea Grande (MT), com 59,03%.

    O levantamento mostra ainda que apenas 12 dos 100 municípios mais populosos do país cumpriam simultaneamente, em 2024, as metas estabelecidas pela Portaria 788/2024 para redução de perdas. São eles:

    • Campinas (SP)
    • Campo Grande (MS)
    • Franca (SP)
    • Goiânia (GO)
    • Limeira (SP)
    • Maringá (PR)
    • Petrópolis (RJ)
    • Santos (SP)
    • São José do Rio Preto (SP)
    • Suzano (SP)
    • Taubaté (SP)
    • Teresina (PI)

    Entre as capitais brasileiras, apenas quatro ficaram abaixo da meta de 25% definida pela Portaria 788/2024: Goiânia, São Paulo, Campo Grande e Teresina. A média das 27 capitais foi de 39,30%.
     



    Fonte: Brasil 61

    Comentários

    O autor do comentário é o único responsável pelo conteúdo publicado, inclusive nas esferas civil e penal. Este site não se responsabiliza pelas opiniões de terceiros. Ao comentar, você concorda com os Termos de Uso e Privacidade.
    O Isabelense

    Publicado por:

    O Isabelense

    O Isabelense é o primeiro e mais completo portal 100% focado em Santa Isabel. Com agilidade e clareza, mostramos tudo que acontece na cidade. Aqui, a notícia é fato: na palma da sua mão, Santa Isabel em tempo real.

    Saiba Mais

    Não possui uma conta?

    Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
    WhatsApp O Isabelense
    Envie sua mensagem, vamos responder assim que possível ; )
    Termos de Uso e Privacidade
    Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
    Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
    PROSSEGUIR