Um estudo brasileiro que investigou os fatores associados às tentativas de suicídio entre adolescentes reforça um alerta que também mobiliza profissionais da saúde mental no Alto Tietê: o sofrimento emocional dos jovens costuma ser resultado do acúmulo de diferentes vulnerabilidades ao longo da vida, exigindo atenção da família, da escola e dos serviços públicos de saúde.
A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Federal de Sergipe (UFS) com adolescentes de 14 a 19 anos atendidos em Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Capsi) da capital paulista. Os relatos apontaram fatores recorrentes como violência, bullying, conflitos familiares, negligência emocional, discriminação, isolamento social, ansiedade, depressão e autolesão.
Embora o levantamento tenha sido realizado na cidade de São Paulo, especialistas destacam que os fatores identificados também estão presentes em municípios de médio porte e regiões metropolitanas, como o Alto Tietê, onde adolescentes contam com atendimento por meio da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidades Básicas de Saúde (UBSs), hospitais e serviços municipais de saúde.
Segundo os pesquisadores, o comportamento suicida não pode ser explicado por uma única causa. Em praticamente todos os relatos houve a combinação de fatores emocionais, familiares e sociais, criando um cenário de sofrimento progressivo que, muitas vezes, permanece invisível até que ocorra uma crise.
Os adolescentes entrevistados relataram dificuldades para lidar com sentimentos intensos de raiva, frustração, abandono e vazio emocional. Muitos também disseram não se sentir acolhidos dentro de casa ou pertencentes aos ambientes que frequentavam, como família, escola ou grupo de amigos. O estudo aponta que essa sensação de não pertencimento aparece de forma recorrente entre jovens que tentaram tirar a própria vida.
Outro aspecto destacado pelos pesquisadores é o papel da escola. Casos repetidos de bullying, humilhações, exclusão social e discriminação relacionados à orientação sexual, identidade de gênero ou origem podem contribuir para o agravamento do sofrimento psíquico quando não há acolhimento adequado.
Em muitos dos casos analisados, episódios de autolesão ocorreram antes das tentativas de suicídio. Os autores explicam que esse comportamento deve ser compreendido como um importante sinal de alerta, indicando sofrimento emocional intenso e necessidade de atendimento especializado, e não como busca por atenção ou "fase da adolescência".
Para profissionais da saúde mental, o principal caminho para prevenção continua sendo o fortalecimento das redes de apoio. Família, escola, profissionais da saúde e comunidade precisam atuar de forma integrada para identificar mudanças de comportamento, oferecer espaços seguros de escuta e facilitar o acesso ao tratamento quando necessário.
No Alto Tietê, moradores podem procurar inicialmente as Unidades Básicas de Saúde de seus municípios, que realizam o acolhimento e, quando necessário, encaminham pacientes para atendimento especializado na Rede de Atenção Psicossocial. Em situações de sofrimento emocional intenso, também é possível buscar apoio no Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188 ou pelo atendimento on-line, disponível gratuitamente em todo o país.
Se você ou alguém próximo estiver enfrentando sofrimento emocional intenso ou pensamentos de suicídio, procure ajuda imediatamente. O CVV atende gratuitamente, 24 horas por dia, pelo telefone 188 e também oferece atendimento on-line.

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