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Sábado, 19 de Setembro 2026
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Interesse por carros eletrificados chega a 71,4% entre potenciais compradores no país

Levantamento ouviu 1.200 potenciais compradores; custo-benefício aparece como principal critério para escolher híbridos ou elétricos

Interesse por carros eletrificados chega a 71,4% entre potenciais compradores no país
Eduardo Sodré/Folhapress
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O interesse dos brasileiros por carros híbridos e elétricos continua avançando e já aparece nos planos de compra de sete em cada dez potenciais consumidores ouvidos em uma nova pesquisa sobre o mercado automotivo.

Levantamento do Webmotors Autoinsights mostra que, entre os entrevistados que ainda não possuem um veículo híbrido ou elétrico — grupo que representa 91% da amostra —, 71,4% afirmam considerar algum modelo eletrificado em sua próxima aquisição.

O percentual representa avanço de sete pontos em relação a 2025, quando 64,4% demonstravam essa intenção.

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A pesquisa ouviu 1.200 pessoas que passaram pelo portal de classificados da Webmotors. Esse recorte é importante para interpretar os números: os entrevistados são potenciais consumidores de veículos e, portanto, os resultados não devem ser apresentados como se representassem automaticamente toda a população brasileira.

Segundo reportagem publicada nesta sexta-feira (18) pela Folha de S.Paulo, os números ajudam a explicar a expansão da oferta de veículos eletrificados no mercado nacional.

HÍBRIDOS DESPERTAM MAIS INTERESSE

Embora o termo “eletrificado” reúna diferentes tecnologias, a preferência dos entrevistados não está concentrada nos carros exclusivamente elétricos.

Os híbridos aparecem à frente.

Entre os participantes do levantamento, 39,9% dizem preferir um automóvel híbrido, que combina diferentes formas de propulsão. Já 8,9% escolheriam um modelo totalmente elétrico.

Outros 13% ainda não decidiram qual tecnologia escolheriam.

Os números mostram que o avanço do interesse pela eletrificação não significa necessariamente uma migração imediata para veículos movidos exclusivamente a bateria. Neste momento, os híbridos ocupam posição de destaque entre as preferências declaradas pelos participantes da pesquisa.

Ao mesmo tempo, caiu a parcela daqueles que descartam completamente essas tecnologias.

Em 2025, 23,9% dos entrevistados afirmavam que não investiriam em nenhuma opção eletrificada. Neste ano, o percentual recuou para 15,6%.

CUSTO-BENEFÍCIO SUPERA A QUESTÃO AMBIENTAL

O preço e o retorno oferecido pelo veículo aparecem no centro da decisão de compra.

Entre os entrevistados que pretendem adquirir um automóvel híbrido ou elétrico, 72% apontam o custo-benefício como principal fator considerado na escolha.

A autonomia, ou seja, a distância que o veículo consegue percorrer dentro das condições de utilização de sua tecnologia, é mencionada por 43%.

A reputação da marca aparece para 37% dos entrevistados.

Já o apelo ecológico é citado por 34%.

Os resultados indicam que, mesmo em um segmento associado à redução de emissões e à transição energética, questões práticas e financeiras pesam fortemente na escolha do consumidor.

QUANTO O CONSUMIDOR ACEITA PAGAR

O levantamento também perguntou quanto os participantes consideram razoável desembolsar na compra de um veículo sustentável.

Para 47%, o valor aceitável chega a R$ 100 mil.

Outros 35% apontam uma faixa entre R$ 100 mil e R$ 150 mil.

Já 14,3% admitem gastar até R$ 200 mil.

Os números ajudam a dimensionar um dos desafios das montadoras: transformar o interesse crescente pela eletrificação em compras efetivas dentro das faixas de preço consideradas acessíveis pelos consumidores pesquisados.

Não basta, portanto, que o automóvel utilize uma tecnologia híbrida ou elétrica. Para grande parte dos potenciais compradores ouvidos, o veículo também precisa apresentar uma relação de custo-benefício considerada adequada.

MARCAS CHINESAS GANHAM ESPAÇO

A expansão dos carros eletrificados também coincide com o crescimento das montadoras chinesas no mercado brasileiro.

A Folha destaca que marcas como BYD e GWM já oferecem diferentes configurações híbridas no país, inclusive tecnologias que combinam eletricidade com motores que utilizam gasolina ou etanol.

Esse movimento aumenta a variedade disponível ao consumidor e amplia a disputa com fabricantes tradicionais.

A pesquisa, entretanto, mostra que preço e tecnologia não são os únicos elementos considerados. A reputação da fabricante aparece como fator relevante para 37% dos participantes interessados em híbridos ou elétricos.

Esse resultado indica que marcas tradicionais ainda podem encontrar espaço na disputa à medida que ampliem suas opções eletrificadas e consigam oferecer produtos dentro das expectativas de preço e características dos consumidores.

INTERESSE NÃO SIGNIFICA COMPRA CONFIRMADA

Os 71,4% registrados pela pesquisa representam pessoas que considerariam um carro eletrificado em sua próxima aquisição. O resultado não significa que essa mesma parcela efetivamente comprará um híbrido ou elétrico.

Entre manifestar interesse e fechar negócio entram fatores como preço final, condições de financiamento, disponibilidade de modelos, autonomia, infraestrutura para recarga, custo de manutenção e características específicas de utilização de cada motorista.

Também é necessário considerar o perfil da amostra: as 1.200 pessoas consultadas passaram pela plataforma Webmotors e são classificadas pelo levantamento como potenciais consumidores do mercado automotivo.

Ainda assim, a comparação com 2025 mostra uma mudança dentro desse mesmo universo: a intenção de considerar um eletrificado passou de 64,4% para 71,4%, enquanto a rejeição às tecnologias caiu de 23,9% para 15,6%.

O movimento ajuda a explicar por que híbridos e elétricos passaram a ocupar uma parcela cada vez mais visível das estratégias das montadoras no Brasil.

Para o consumidor, porém, a pesquisa deixa outra mensagem igualmente importante: mais do que a tecnologia ou o discurso ambiental, é a relação entre preço e benefício que aparece atualmente como principal fator capaz de transformar interesse em decisão de compra.

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