O interesse dos brasileiros por carros híbridos e elétricos continua avançando e já aparece nos planos de compra de sete em cada dez potenciais consumidores ouvidos em uma nova pesquisa sobre o mercado automotivo.
Levantamento do Webmotors Autoinsights mostra que, entre os entrevistados que ainda não possuem um veículo híbrido ou elétrico — grupo que representa 91% da amostra —, 71,4% afirmam considerar algum modelo eletrificado em sua próxima aquisição.
O percentual representa avanço de sete pontos em relação a 2025, quando 64,4% demonstravam essa intenção.
A pesquisa ouviu 1.200 pessoas que passaram pelo portal de classificados da Webmotors. Esse recorte é importante para interpretar os números: os entrevistados são potenciais consumidores de veículos e, portanto, os resultados não devem ser apresentados como se representassem automaticamente toda a população brasileira.
Segundo reportagem publicada nesta sexta-feira (18) pela Folha de S.Paulo, os números ajudam a explicar a expansão da oferta de veículos eletrificados no mercado nacional.
HÍBRIDOS DESPERTAM MAIS INTERESSE
Embora o termo “eletrificado” reúna diferentes tecnologias, a preferência dos entrevistados não está concentrada nos carros exclusivamente elétricos.
Os híbridos aparecem à frente.
Entre os participantes do levantamento, 39,9% dizem preferir um automóvel híbrido, que combina diferentes formas de propulsão. Já 8,9% escolheriam um modelo totalmente elétrico.
Outros 13% ainda não decidiram qual tecnologia escolheriam.
Os números mostram que o avanço do interesse pela eletrificação não significa necessariamente uma migração imediata para veículos movidos exclusivamente a bateria. Neste momento, os híbridos ocupam posição de destaque entre as preferências declaradas pelos participantes da pesquisa.
Ao mesmo tempo, caiu a parcela daqueles que descartam completamente essas tecnologias.
Em 2025, 23,9% dos entrevistados afirmavam que não investiriam em nenhuma opção eletrificada. Neste ano, o percentual recuou para 15,6%.
CUSTO-BENEFÍCIO SUPERA A QUESTÃO AMBIENTAL
O preço e o retorno oferecido pelo veículo aparecem no centro da decisão de compra.
Entre os entrevistados que pretendem adquirir um automóvel híbrido ou elétrico, 72% apontam o custo-benefício como principal fator considerado na escolha.
A autonomia, ou seja, a distância que o veículo consegue percorrer dentro das condições de utilização de sua tecnologia, é mencionada por 43%.
A reputação da marca aparece para 37% dos entrevistados.
Já o apelo ecológico é citado por 34%.
Os resultados indicam que, mesmo em um segmento associado à redução de emissões e à transição energética, questões práticas e financeiras pesam fortemente na escolha do consumidor.
QUANTO O CONSUMIDOR ACEITA PAGAR
O levantamento também perguntou quanto os participantes consideram razoável desembolsar na compra de um veículo sustentável.
Para 47%, o valor aceitável chega a R$ 100 mil.
Outros 35% apontam uma faixa entre R$ 100 mil e R$ 150 mil.
Já 14,3% admitem gastar até R$ 200 mil.
Os números ajudam a dimensionar um dos desafios das montadoras: transformar o interesse crescente pela eletrificação em compras efetivas dentro das faixas de preço consideradas acessíveis pelos consumidores pesquisados.
Não basta, portanto, que o automóvel utilize uma tecnologia híbrida ou elétrica. Para grande parte dos potenciais compradores ouvidos, o veículo também precisa apresentar uma relação de custo-benefício considerada adequada.
MARCAS CHINESAS GANHAM ESPAÇO
A expansão dos carros eletrificados também coincide com o crescimento das montadoras chinesas no mercado brasileiro.
A Folha destaca que marcas como BYD e GWM já oferecem diferentes configurações híbridas no país, inclusive tecnologias que combinam eletricidade com motores que utilizam gasolina ou etanol.
Esse movimento aumenta a variedade disponível ao consumidor e amplia a disputa com fabricantes tradicionais.
A pesquisa, entretanto, mostra que preço e tecnologia não são os únicos elementos considerados. A reputação da fabricante aparece como fator relevante para 37% dos participantes interessados em híbridos ou elétricos.
Esse resultado indica que marcas tradicionais ainda podem encontrar espaço na disputa à medida que ampliem suas opções eletrificadas e consigam oferecer produtos dentro das expectativas de preço e características dos consumidores.
INTERESSE NÃO SIGNIFICA COMPRA CONFIRMADA
Os 71,4% registrados pela pesquisa representam pessoas que considerariam um carro eletrificado em sua próxima aquisição. O resultado não significa que essa mesma parcela efetivamente comprará um híbrido ou elétrico.
Entre manifestar interesse e fechar negócio entram fatores como preço final, condições de financiamento, disponibilidade de modelos, autonomia, infraestrutura para recarga, custo de manutenção e características específicas de utilização de cada motorista.
Também é necessário considerar o perfil da amostra: as 1.200 pessoas consultadas passaram pela plataforma Webmotors e são classificadas pelo levantamento como potenciais consumidores do mercado automotivo.
Ainda assim, a comparação com 2025 mostra uma mudança dentro desse mesmo universo: a intenção de considerar um eletrificado passou de 64,4% para 71,4%, enquanto a rejeição às tecnologias caiu de 23,9% para 15,6%.
O movimento ajuda a explicar por que híbridos e elétricos passaram a ocupar uma parcela cada vez mais visível das estratégias das montadoras no Brasil.
Para o consumidor, porém, a pesquisa deixa outra mensagem igualmente importante: mais do que a tecnologia ou o discurso ambiental, é a relação entre preço e benefício que aparece atualmente como principal fator capaz de transformar interesse em decisão de compra.

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