Relógios vistos nos pulsos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em fotografias públicas chamaram atenção pelos valores estimados no mercado de alta relojoaria. Levantamento repercutido pela Folha de S.Paulo aponta que peças atribuídas a integrantes da Corte superam, juntas, R$ 1,2 milhão.
O trabalho foi realizado pelo portal Coisa de Bilionário, que analisou imagens públicas dos ministros e comparou visualmente os relógios com modelos comercializados por marcas de luxo.
A principal ressalva está justamente no método utilizado. As identificações foram feitas a partir de fotografias, e os preços são referências estimadas de mercado. Portanto, os valores não comprovam quanto cada ministro efetivamente pagou pelas peças, quando elas foram adquiridas, se foram compradas novas ou usadas ou mesmo se a referência exata identificada visualmente corresponde ao relógio utilizado.
Segundo a Folha, o modelo de maior valor atribuído pelo levantamento aparece no pulso de Alexandre de Moraes: um Patek Philippe Nautilus estimado em aproximadamente R$ 720 mil.
MORAES TEM PEÇA ESTIMADA EM R$ 720 MIL
O Patek Philippe Nautilus associado a Alexandre de Moraes é, com ampla diferença, o relógio mais caro identificado no levantamento.
A estimativa apresentada é de aproximadamente R$ 720 mil.
O Nautilus é uma das linhas mais conhecidas da fabricante suíça Patek Philippe e possui diferentes referências, materiais e configurações. Determinadas versões também são negociadas no mercado secundário, onde os preços podem variar significativamente.
Por isso, embora a comparação visual tenha associado o relógio utilizado pelo ministro à coleção, o valor de R$ 720 mil deve ser entendido como uma estimativa baseada no modelo identificado e em referências de mercado.
Não há, na reportagem, informação sobre quanto Moraes teria desembolsado pela peça nem sobre a data ou as condições de aquisição.
GILMAR MENDES APARECE COM ROLEX
Gilmar Mendes também aparece no levantamento com um relógio de alto valor.
O modelo atribuído ao ministro é um Rolex Sky-Dweller, avaliado em aproximadamente R$ 342 mil.
A peça é a segunda mais cara identificada entre os integrantes da Corte analisados.
A Folha também registra que Gilmar já foi fotografado utilizando smartwatch, mostrando que o relógio de luxo identificado não é necessariamente o único utilizado pelo ministro.
FUX E ZANIN TAMBÉM APARECEM COM ROLEX
Luiz Fux aparece utilizando um Rolex Datejust 41, segundo a identificação apresentada pelo levantamento.
A estimativa para a peça é de aproximadamente R$ 94 mil.
Cristiano Zanin também foi associado a um modelo semelhante da Rolex, avaliado em cerca de R$ 67 mil.
Mesmo dentro de uma mesma coleção, o preço pode mudar conforme material utilizado, mostrador, pulseira, luneta, ano de fabricação, referência específica e estado de conservação.
Isso reforça a necessidade de tratar os valores como aproximações, e não como uma avaliação patrimonial exata dos relógios dos ministros.
FACHIN APARECE COM PATEK PHILIPPE
O presidente do STF, Edson Fachin, foi associado a outro relógio da Patek Philippe.
Segundo o levantamento, seria um modelo Ultra-Thin, com valor estimado em aproximadamente R$ 60 mil.
É o menor valor entre as peças de luxo identificadas no grupo apresentado pela reportagem, embora continue dentro do segmento de alta relojoaria.
NEM TODOS OS MINISTROS TIVERAM RELÓGIOS IDENTIFICADOS
O levantamento não conseguiu determinar os modelos utilizados por todos os integrantes do Supremo.
Segundo a Folha, não foi possível identificar pelas fotografias analisadas os relógios de Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Flávio Dino.
Isso significa que o valor superior a R$ 1,2 milhão não representa necessariamente o patrimônio em relógios de todos os ministros do STF.
A cifra resulta da soma das estimativas das peças que puderam ser associadas visualmente a modelos específicos.
VALORES NÃO REPRESENTAM QUANTO FOI PAGO
Esse é um ponto fundamental para interpretar o levantamento.
Um relógio atualmente avaliado em centenas de milhares de reais pode ter sido adquirido por valor diferente anos atrás. Peças de determinadas marcas também podem se valorizar ou desvalorizar no mercado secundário.
Da mesma forma, não é possível estabelecer pelas fotografias se os relógios foram adquiridos novos, usados, recebidos por herança ou obtidos em outras circunstâncias lícitas.
A reportagem não apresenta elementos que indiquem irregularidade na posse dos acessórios.
O levantamento trata exclusivamente da identificação visual dos modelos e de seus possíveis valores atuais de mercado.
A soma também varia de acordo com quais peças são consideradas. Levantamento reproduzido pelo Terra, por exemplo, soma quatro relógios associados a Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Edson Fachin e chega a aproximadamente R$ 1,216 milhão.
ALTA RELOJOARIA PODE TER GRANDES VARIAÇÕES DE PREÇO
Relógios de fabricantes como Patek Philippe e Rolex possuem um mercado próprio de colecionadores, e determinadas referências podem alcançar valores significativamente superiores aos preços originais de venda.
Fatores como raridade, material, conservação, documentação, procedência, ano e procura por determinado modelo influenciam o preço.
Por esse motivo, mesmo quando a identificação visual está correta, atribuir um valor exato a uma peça exige informações que uma fotografia normalmente não oferece.
No caso dos ministros do STF, portanto, a informação verificável apresentada pela reportagem é que modelos visualmente associados aos relógios vistos em imagens públicas possuem preços de referência que, somados, ultrapassam R$ 1,2 milhão.
Não há demonstração de quanto os ministros efetivamente pagaram pelas peças nem indicação, na reportagem, de irregularidade relacionada à propriedade dos relógios.

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