Empresas brasileiras estão ganhando espaço entre os principais alvos mundiais de ataques de ransomware, modalidade de crime digital na qual invasores sequestram dados ou sistemas e exigem pagamento para liberar as informações. Em junho, o Brasil foi o terceiro país com mais registros desse tipo de ataque e, no acumulado de 2026, aparece na quinta posição, segundo dados apresentados em reportagem publicada pela Folha de S.Paulo.
Os números ajudam a dimensionar a mudança. Segundo a plataforma Ransomware.live, da Cohesity, foram registrados 23 casos envolvendo empresas brasileiras somente em junho. Desde o início do ano, são 123 ataques.
Em 2025 inteiro, o Brasil havia contabilizado 148 ocorrências e aparecia na oitava posição entre os países mais atingidos. À frente estavam Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Espanha.
A aproximação entre os 123 ataques registrados nos primeiros meses de 2026 e os 148 contabilizados durante todo o ano passado mostra por que especialistas em segurança digital estão atentos ao país.
Um dos fatores apontados para essa mudança é o uso da inteligência artificial pelos próprios criminosos.
IA também está sendo usada para atacar
Ferramentas de IA generativa permitem acelerar tarefas que antes exigiam maior conhecimento técnico ou equipes especializadas. Segundo a reportagem, grupos criminosos utilizam a tecnologia para identificar vulnerabilidades em sistemas, aperfeiçoar mensagens fraudulentas, buscar funcionários que possam ser alvos de suborno e adaptar golpes para diferentes idiomas.
Essa última possibilidade tem impacto direto sobre o Brasil.
A barreira do idioma dificultava determinadas operações conduzidas por grupos estrangeiros. Agora, ferramentas de inteligência artificial permitem produzir textos e até ligações mais convincentes em português, além de auxiliar criminosos estrangeiros no recrutamento de parceiros locais.
De acordo com relatório da CrowdStrike citado pela Folha, os ataques cibernéticos viabilizados pelo uso de IA generativa aumentaram 89% no primeiro semestre de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025.
O que é ransomware?
O ransomware é um software malicioso utilizado para bloquear sistemas, criptografar arquivos ou retirar da vítima o acesso aos próprios dados.
Depois da invasão, grupos criminosos podem exigir pagamento para restabelecer os sistemas ou ameaçar divulgar informações obtidas durante o ataque.
Os pedidos de resgate costumam envolver criptoativos e podem ser publicados na dark web, área da internet acessada por ferramentas específicas e utilizada também por grupos criminosos para negociar ou divulgar dados roubados.
Na prática, um ataque desse tipo pode interromper a operação digital de uma empresa e atingir desde sistemas administrativos e financeiros até cadastros de clientes, documentos internos e informações de funcionários.
Por que isso interessa às empresas do Alto Tietê?
O crescimento dos ataques no Brasil não significa que somente grandes companhias estejam expostas.
Para empresas de Santa Isabel e do Alto Tietê, a discussão chama atenção para a dependência cada vez maior de sistemas digitais no funcionamento cotidiano dos negócios.
Cadastros de clientes, informações financeiras, sistemas de vendas, emissão de documentos, arquivos de funcionários, contas de e-mail e plataformas administrativas são exemplos de informações que podem fazer parte da rotina digital de empresas de diferentes portes.
A reportagem da Folha mostra ainda que os ataques registrados no Brasil alcançam diferentes setores, incluindo educação, administração pública e comércio de máquinas.
Um dos grupos citados, chamado The Gentleman, afirma ter realizado 15 ataques contra empresas e instituições brasileiras em 2026. Entre os alvos atribuídos ao grupo está o Colégio Notre Dame, em Campinas, no interior de São Paulo.
O caso também demonstra que o problema não está restrito às grandes corporações ou aos principais centros financeiros do país.
O que acontece quando dados são vazados?
Além da paralisação dos sistemas, uma invasão pode envolver informações pessoais de clientes, funcionários ou outras pessoas relacionadas à empresa.
No Brasil, incidentes envolvendo dados pessoais estão sujeitos às regras de proteção de dados. Segundo a reportagem, quando aplicável, incidentes cibernéticos precisam ser comunicados à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e às pessoas atingidas pelo vazamento.
Especialistas ouvidos pela Folha também recomendam que empresas não façam automaticamente o pagamento solicitado pelos criminosos. Um pedido de resgate pode inclusive ser um blefe, e a avaliação da situação exige acompanhamento técnico especializado.
O avanço da inteligência artificial, portanto, apresenta uma nova dimensão para a segurança digital. As mesmas ferramentas capazes de automatizar processos e aumentar a produtividade das empresas também podem ser utilizadas por criminosos para tornar ataques mais rápidos, sofisticados e adaptados às vítimas.
Com o Brasil subindo no ranking internacional de ransomware, proteção de sistemas, controle de acesso, cópias de segurança e preparação para responder a incidentes passam a ter importância ainda maior para empresas que concentram parte relevante de suas operações e informações no ambiente digital.

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