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Segunda-feira, 10 de Agosto 2026
Notícias/Mercado de Trabalho

Vão te substituir por uma IA? Aqui no Brasil, o risco é outro

Estudo do Banco Mundial aponta que 4,5% dos empregos em países de baixa e média renda estão expostos à automação por IA, contra 14,2% nas economias mais ricas; potencial de aumento da produtividade, porém, é semelhante.

Vão te substituir por uma IA? Aqui no Brasil, o risco é outro
Divulgação/X @UBTECHRobotics
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O temor de que a inteligência artificial provoque uma substituição em massa de trabalhadores pode ocorrer de maneira diferente no Brasil e em outras economias de renda média. Um estudo do Banco Mundial aponta que os empregos nos países mais ricos estão quase três vezes mais expostos à automação por IA. O dado, porém, não significa necessariamente uma vantagem para países como o Brasil: o risco pode estar justamente na dificuldade de incorporar a tecnologia para aumentar a produtividade.

Segundo análise publicada pelo colunista Diogo Cortiz, no UOL, 14,2% dos empregos nas economias desenvolvidas estão expostos à automação por inteligência artificial. Nos países de baixa e média renda, essa proporção cai para 4,5%.

A diferença está relacionada, entre outros fatores, ao perfil do mercado de trabalho.

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Nos países mais ricos existe maior concentração de profissionais em atividades de escritório, programação, finanças e outras ocupações nas quais ferramentas de inteligência artificial já conseguem executar ou automatizar parte das tarefas.

Em economias como a brasileira, uma parcela maior dos empregos permanece concentrada em atividades cuja automação ainda pode ser tecnicamente mais difícil ou financeiramente pouco vantajosa.

Isso ajuda a explicar por que o impacto imediato sobre postos de trabalho tende a ser menor. Mas o estudo apresentado pelo colunista chama atenção para outro número.

IA poderia aumentar produtividade de 16,2% dos empregos

Enquanto 4,5% dos empregos nas economias de baixa e média renda aparecem expostos à automação, 16,2% poderiam ter a produtividade ampliada com a utilização da inteligência artificial.

A diferença em relação aos países ricos, nesse caso, é pequena. Nas economias desenvolvidas, o potencial apontado é de 18,7%.

O cenário muda a discussão sobre o impacto da IA no mercado de trabalho.

Para o Brasil, portanto, a questão não está apenas em quantos profissionais podem perder seus empregos para sistemas automatizados. Também existe a possibilidade de empresas e trabalhadores não conseguirem incorporar ferramentas capazes de executar determinadas tarefas com mais rapidez e eficiência.

Isso poderia criar uma diferença de produtividade entre trabalhadores, empresas e países que utilizam intensamente a tecnologia e aqueles que permanecem distantes dela.

O que isso significa para o trabalhador?

A discussão interessa diretamente a quem acompanha o avanço da inteligência artificial preocupado com a própria profissão.

Os dados apresentados pelo Banco Mundial não indicam que 4,5% dos trabalhadores necessariamente perderão seus empregos. O percentual representa exposição à automação, e não uma previsão direta de demissões.

Da mesma maneira, afirmar que 16,2% dos empregos poderiam ganhar produtividade com IA não significa que esse ganho ocorrerá automaticamente.

Para isso, empresas e trabalhadores precisam ter acesso às ferramentas, infraestrutura, capacitação e condições para incorporá-las às atividades profissionais.

É nesse ponto que o desafio brasileiro pode se tornar mais complexo.

Uma pequena empresa, um profissional autônomo ou um trabalhador do Alto Tietê, por exemplo, pode estar menos sujeito à substituição integral de sua atividade por uma inteligência artificial, mas ainda assim enfrentar concorrência de empresas ou profissionais que aprenderam a utilizar essas ferramentas para produzir mais ou executar determinadas tarefas em menos tempo.

O problema, portanto, pode não ser simplesmente "a IA vai tomar meu emprego?", mas como diferentes profissões serão reorganizadas à medida que a tecnologia for incorporada ao cotidiano das empresas.

Adotar antes de desenvolver?

O estudo também entra em outra discussão: qual deve ser a estratégia dos países em desenvolvimento diante da corrida mundial pela inteligência artificial.

Segundo o Banco Mundial, esses países deveriam inicialmente priorizar a adoção das tecnologias que já existem, depois adaptá-las às necessidades locais e, somente com um mercado mais desenvolvido, avançar na criação dos chamados modelos de fronteira.

São os sistemas mais avançados de inteligência artificial, cujo desenvolvimento pode exigir investimentos de bilhões e grande capacidade computacional.

A recomendação é debatida porque envolve uma questão estratégica: até que ponto depender de tecnologias desenvolvidas em outros países pode comprometer a autonomia digital no futuro.

Na avaliação apresentada pelo colunista, uma alternativa seria aproveitar modelos abertos já disponíveis, inclusive desenvolvidos na China, adaptá-los à realidade brasileira e executá-los em infraestrutura local.

A estratégia permitiria reduzir o custo de desenvolver um sistema completamente novo sem necessariamente abandonar investimentos nacionais em pesquisa e tecnologia.

O próprio texto ressalta que isso não significa desistir do desenvolvimento brasileiro de modelos mais avançados no longo prazo.

Tecnologia está chegando mais rápido aos países de renda média

Outro dado utilizado pelo Banco Mundial mostra como a velocidade de disseminação tecnológica mudou.

Segundo a análise apresentada pelo UOL, a tecnologia a vapor levou aproximadamente 80 anos para alcançar os países mais pobres. Com a internet, esse intervalo caiu para cerca de 20 anos.

No caso do ChatGPT, menos de um ano depois do lançamento, metade do tráfego global já vinha de países de renda média.

Essa velocidade reduz o intervalo disponível para governos, empresas e trabalhadores decidirem como incorporar uma nova tecnologia.

O desafio brasileiro

A discussão apresentada pelo estudo coloca duas possibilidades diferentes para o mercado de trabalho brasileiro.

De um lado, a estrutura atual do emprego faz com que uma parcela proporcionalmente menor das ocupações esteja diretamente exposta à automação por IA quando comparada às economias desenvolvidas.

De outro, existe um contingente muito maior de empregos que poderia utilizar a tecnologia para aumentar a produtividade.

Se esse potencial não for aproveitado, a diferença tecnológica entre países pode se transformar também em diferença econômica.

Assim, os números não sustentam a conclusão de que os brasileiros estão protegidos dos efeitos da inteligência artificial sobre o trabalho. Eles mostram que esses efeitos podem ocorrer de outra maneira.

Para parte dos trabalhadores, o impacto poderá vir da automação de tarefas. Para outros, a transformação poderá acontecer dentro da própria profissão, com a IA sendo incorporada como ferramenta de trabalho.

E existe ainda um terceiro grupo: trabalhadores e empresas que podem permanecer distantes dessas tecnologias enquanto concorrentes passam a utilizá-las.

Nesse cenário, o debate deixa de ser apenas sobre quantos empregos a inteligência artificial poderá eliminar e passa também por uma questão que interessa diretamente ao Brasil: quantos trabalhadores e empresas terão condições de aproveitar a tecnologia para produzir mais e permanecer competitivos.

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