Um levantamento baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que 702 municípios brasileiros — o equivalente a um em cada oito — possuem mais eleitores registrados do que moradores estimados para 2026.
A situação, embora possa causar estranheza à primeira vista, não indica necessariamente irregularidades. Especialistas explicam que o fenômeno está relacionado principalmente ao envelhecimento das bases populacionais, aos movimentos migratórios e ao fato de muitos brasileiros manterem o domicílio eleitoral em cidades onde já não vivem.
Em diversos municípios de pequeno porte, moradores se mudam para estudar ou trabalhar em cidades maiores, mas continuam votando na cidade de origem. Além disso, as estimativas populacionais do IBGE consideram toda a população, enquanto o cadastro eleitoral reúne apenas cidadãos aptos a votar, atualizado em períodos diferentes.
Segundo a reportagem do UOL, o cenário é mais frequente em municípios pequenos, especialmente nas regiões Nordeste e Sul do país, onde a saída de moradores ao longo dos anos reduziu a população residente, sem que houvesse uma atualização proporcional do número de eleitores.
Em alguns casos, a diferença entre eleitores e moradores ultrapassa 20%, chamando a atenção de órgãos de controle. Ainda assim, a Justiça Eleitoral afirma que realiza periodicamente revisões do cadastro e pode promover o recadastramento biométrico ou a revisão do eleitorado quando identifica indícios de inconsistências.
O TSE destaca que o eleitor é responsável por manter o domicílio eleitoral atualizado. Quem muda de cidade e pretende votar no novo município deve solicitar a transferência do título dentro do prazo estabelecido pela legislação eleitoral.
O levantamento também evidencia um desafio para a gestão pública. Como diversos repasses federais e o planejamento de políticas públicas utilizam dados populacionais do IBGE, municípios com grande diferença entre população residente e eleitorado acabam apresentando realidades distintas quando comparados aos cadastros oficiais.
Apesar disso, especialistas ressaltam que a existência de mais eleitores do que moradores não significa, por si só, fraude eleitoral. Cada situação precisa ser analisada individualmente, levando em consideração aspectos demográficos, históricos e administrativos de cada município.

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