O Governo Federal avalia que uma eventual nova tarifa aplicada pelos Estados Unidos, sob a justificativa de combate ao trabalho forçado, poderá ser acumulada à sobretaxa de 25% já imposta sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.
A preocupação surgiu após o governo dos Estados Unidos ampliar as investigações comerciais contra o Brasil. Além da tarifa de 25% já anunciada, as autoridades americanas estudam aplicar uma nova cobrança com base na legislação que combate a importação de produtos cuja cadeia produtiva seja considerada ligada ao trabalho forçado.
Segundo integrantes do governo brasileiro ouvidos pela Folha de S.Paulo, a interpretação predominante é que essa eventual nova tarifa não substituiria a sobretaxa já existente, mas seria aplicada de forma adicional, elevando ainda mais o custo dos produtos brasileiros no mercado americano.
A avaliação ocorre enquanto representantes dos dois países mantêm negociações diplomáticas para tentar reduzir os impactos das medidas sobre as exportações brasileiras. Nos bastidores, o governo brasileiro considera que a abertura dessa nova frente de investigação amplia a insegurança para empresas exportadoras.
Caso a nova cobrança seja confirmada, setores da indústria e do agronegócio poderão enfrentar custos ainda maiores para manter seus produtos competitivos nos Estados Unidos, um dos principais destinos das exportações brasileiras.
O governo brasileiro também acompanha com preocupação os critérios que serão utilizados pelos Estados Unidos para caracterizar possíveis casos de trabalho forçado nas cadeias produtivas. A expectativa é que, antes da adoção de novas sanções, sejam garantidos mecanismos de defesa e apresentação de informações por parte das empresas e das autoridades brasileiras.
Nos últimos dias, o Governo Federal anunciou medidas de apoio às empresas afetadas pelo aumento das tarifas, incluindo a ampliação do Plano Brasil Soberano e novas linhas de crédito voltadas aos setores mais impactados pelas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.
As negociações entre os dois países continuam, mas ainda não há definição sobre a aplicação da nova tarifa nem sobre quais produtos poderão ser atingidos.

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