O Alto Tietê exporta US$ 225.890.108 para os Estados Unidos e pode enfrentar reflexos econômicos em toda a região com a entrada em vigor do novo tarifaço imposto pelo governo norte-americano aos produtos brasileiros. Embora Suzano seja o município mais diretamente exposto à medida, economistas apontam que os efeitos podem se espalhar pelos demais municípios devido à forte integração entre as cadeias produtivas regionais.
Levantamento divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostra que Suzano responde sozinha por US$ 191.958.199 das exportações do Alto Tietê para o mercado americano. O número representa aproximadamente 85% de todo o volume exportado pela região aos Estados Unidos.
O peso de Suzano é tão expressivo que apenas o município de São Paulo apresenta um volume maior de exportações para os Estados Unidos, com US$ 239.421.839. Na prática, isso coloca Suzano entre os principais polos paulistas que podem sentir imediatamente os efeitos das novas tarifas impostas pelo governo americano.
No ranking regional, Arujá aparece em segundo lugar, com US$ 16.396.832 em exportações, seguida por Mogi das Cruzes, com US$ 14.748.940. Depois aparecem Guararema (US$ 1.443.094), Ferraz de Vasconcelos (US$ 694.472), Itaquaquecetuba (US$ 639.645) e Poá (US$ 8.926).
RANKING DAS EXPORTAÇÕES DO ALTO TIETÊ PARA OS EUA
Os números revelam uma característica importante da economia regional: a forte concentração das exportações. Sozinha, Suzano exporta quase doze vezes mais que Arujá, segunda colocada no ranking, e praticamente treze vezes mais que Mogi das Cruzes. Somadas, todas as demais cidades do Alto Tietê não alcançam o volume exportado pelo município.
Essa concentração faz com que Suzano seja considerada a principal porta de entrada dos impactos do tarifaço na economia regional. Entretanto, especialistas alertam que isso não significa que apenas a cidade sofrerá consequências.
A economia do Alto Tietê funciona em rede. Grandes indústrias instaladas em Suzano dependem diariamente de fornecedores espalhados por municípios vizinhos, contratam empresas de transporte e logística de diversas cidades e utilizam serviços especializados prestados em toda a região. Ao mesmo tempo, milhares de trabalhadores residentes em Arujá, Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Poá, Santa Isabel, Biritiba Mirim e Salesópolis se deslocam diariamente para trabalhar em polos industriais localizados em Suzano, Guarulhos e na capital paulista.
Caso as empresas exportadoras reduzam a produção para o mercado americano, toda essa cadeia tende a ser afetada. Uma diminuição nas encomendas pode significar menos contratos para fornecedores, queda na demanda por transporte de cargas, redução de serviços terceirizados e até impactos sobre o mercado de trabalho.
Outro setor que pode sentir os reflexos é o comércio regional. Quando a atividade industrial perde ritmo, há menor circulação de renda entre trabalhadores e empresas. Esse movimento costuma atingir restaurantes, supermercados, lojas, oficinas, prestadores de serviços e pequenos negócios distribuídos pelos municípios do Alto Tietê.
Os efeitos também podem alcançar as administrações municipais. Embora as exportações não gerem cobrança de ICMS sobre os produtos vendidos ao exterior, uma eventual desaceleração da atividade industrial pode reduzir investimentos, consumo e circulação econômica, influenciando a arrecadação de tributos ligados à atividade empresarial e ao setor de serviços.
Especialistas ressaltam que ainda é cedo para dimensionar o impacto do tarifaço, já que ele dependerá da duração das medidas e da capacidade das empresas brasileiras de conquistar novos mercados. Ainda assim, o levantamento demonstra que o Alto Tietê possui uma economia fortemente conectada ao mercado internacional por meio de Suzano, e que qualquer retração significativa na atividade industrial pode produzir efeitos em toda a região.
Para empresários, trabalhadores e gestores públicos, o momento exige atenção. Embora o impacto direto recaia sobre as empresas exportadoras, os reflexos tendem a percorrer toda a cadeia econômica regional, alcançando municípios que, à primeira vista, possuem pouca ou nenhuma relação comercial com os Estados Unidos.

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