Quem navega pelas redes sociais em Santa Isabel, especialmente plataformas como o X (antigo Twitter) e o TikTok, provavelmente já se deparou com o termo "No Fap September". O que começou como um nicho em fóruns da internet há mais de uma década, hoje se transformou em um desafio viral global que, a cada mês de setembro, volta a ser um dos assuntos mais comentados. Mas, afinal, o que significa e quais são seus reais efeitos?
O movimento, surgido por volta de 2011, propõe um período de abstinência de masturbação e do consumo de pornografia. A expressão "fap" é uma gíria da língua inglesa para o ato de se masturbar. Segundo a terapeuta e educadora sexual Claudia Petry, com especialização pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), a ideia original tinha por objetivo "resetar" hábitos e testar o autocontrole dos participantes.
"Acreditava-se que a abstinência poderia aumentar a energia, o foco e até a testosterona", explica Petry em entrevista ao Gshow. Com o tempo, contudo, o que era um exercício de autoconhecimento para alguns se tornou um desafio coletivo, muitas vezes esvaziado de seu sentido original e tratado apenas como uma tendência passageira.
O que a ciência diz sobre a abstinência?
Do ponto de vista científico, não existem provas consistentes sobre benefícios físicos duradouros da abstinência de masturbação por um mês. A sexóloga aponta que alguns estudos mostram um aumento temporário nos níveis de testosterona em homens após alguns dias sem ejaculação, mas nada que se sustente a longo prazo.
O debate, portanto, se desloca do campo físico para o psicológico. Para pessoas que sentem que a masturbação se tornou um ato compulsivo e automático, o desafio pode funcionar como um exercício de consciência e disciplina. "A questão real é se a pessoa se masturba de forma saudável ou compulsiva. Se for saudável, não há razão para se privar. Se for compulsivo, pode ser um bom exercício", analisa a especialista.
Um desafio além do ato físico
Para quem adere ao "No Fap September", a dificuldade muitas vezes não está apenas em evitar o ato em si, mas em lidar com as emoções que podem surgir, como ansiedade, frustração ou a ideia equivocada de que o desejo sexual é algo errado.
Segundo Claudia Petry, as estratégias mais comuns entre os praticantes incluem identificar e evitar os gatilhos que levam ao ato (como o tédio ou o estresse), substituir o hábito por atividades como exercícios físicos e meditação, e buscar apoio em comunidades virtuais.
No entanto, a especialista alerta que, sem um trabalho de fundo emocional, a abstinência se torna apenas um jogo de resistência superficial. Para a comunidade de Santa Isabel, que consome essas tendências globais, a discussão serve como um lembrete: mais importante do que "vencer" ou "perder" um desafio da internet, é a busca por uma relação saudável e consciente com o próprio corpo e a sexualidade.
