A trégua no preço do tomate, que nos últimos meses representou um alívio para o orçamento das famílias e ajudou a segurar os índices de inflação, chegou ao fim. Em uma reviravolta aguardada pelo setor agrícola, os preços do fruto dispararam nos principais mercados atacadistas do país nesta primeira semana de outubro, um movimento que já reverbera diretamente no comércio de Santa Isabel.
O principal indicador dessa mudança vem do Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea/USP), que apontou um aumento de 27,9% no preço médio do tomate tipo Longa Vida apenas nesta semana, em comparação com o período anterior. A causa, segundo analistas, é clara: o fim do ciclo da safra de inverno.
Com a colheita praticamente encerrada em regiões de grande produção, como Itaocara e São José de Ubá, no Rio de Janeiro, a oferta do produto diminuiu drasticamente. A menor quantidade de tomate disponível para distribuição eleva os custos na origem, um efeito que se espalha em cascata até o consumidor final. Nos grandes centros, o impacto já é visível: a caixa do produto foi cotada a R$ 75 na central de abastecimento do Rio de Janeiro e a R$ 76 em Belo Horizonte (MG).
Para Santa Isabel e outras cidades do Alto Tietê, a principal referência de preços é o que ocorre na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). As variações registradas no maior entreposto da América Latina ditam o ritmo dos valores praticados nos supermercados, sacolões e feiras livres da região.
Dessa forma, o consumidor isabelense que se acostumou a encontrar o quilo do tomate a preços mais acessíveis deve se preparar para uma nova realidade nas próximas semanas. A tendência é que os valores permaneçam em um patamar elevado até que um novo ciclo de produção, vindo de outras regiões, consiga normalizar a oferta no mercado.
Enquanto o fruto foi um dos protagonistas no controle da inflação de alimentos recentemente, sua alta agora pressiona o índice, exigindo mais atenção e pesquisa de preço por parte da população ao ir às compras.

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