O consumidor de Santa Isabel tem encontrado um alívio significativo no orçamento doméstico com a queda expressiva no preço do arroz, um dos principais componentes da cesta básica brasileira. Nas gôndolas dos supermercados, o cereal acumula uma retração de quase 20% desde o início do ano. Apenas no mês de agosto, a desvalorização superou os 2%, segundo dados do setor. O que representa uma boa notícia para as famílias, no entanto, transformou-se em uma grave crise para os produtores rurais.
A desvalorização do produto levou o preço da saca de 50 quilos a um patamar inferior a R$ 60. Este valor, segundo os orizicultores, já não é suficiente para cobrir os custos de produção, o que afeta diretamente a rentabilidade e a sustentabilidade da atividade agrícola. Como consequência direta, agricultores já planejam uma diminuição drástica das áreas cultivadas na próxima safra. A expectativa é que mais de 150 mil hectares deixem de ser plantados com o grão, com muitos produtores considerando a migração para outras culturas ou até mesmo para a pecuária.
Paradoxalmente, enquanto o preço cai, o consumo do produto também registra uma queda histórica. Um levantamento aponta que, ao longo de quatro décadas, o consumo anual de arroz por brasileiro diminuiu em cerca de 11 quilos. Especialistas atribuem essa mudança de hábito ao aumento da oferta de alimentos industrializados e a uma maior diversificação na dieta da população.
Para tentar mitigar os prejuízos do setor produtivo, o governo federal anunciou uma estratégia de apoio. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) destinou R$ 300 milhões para a utilização de contratos de opção de venda. A medida tem por objetivo garantir a compra de até 200 mil toneladas de arroz na próxima safra, na tentativa de assegurar um preço mínimo e dar alguma previsibilidade aos agricultores.

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