Universidades brasileiras têm começado a eliminar a segunda fase dos vestibulares após estudos internos apontarem que essa etapa tem impacto limitado no resultado final dos processos seletivos.
Tradicionalmente, o vestibular em duas fases funciona como um filtro: a primeira etapa, com questões objetivas, seleciona os candidatos mais bem classificados, que seguem para provas discursivas mais aprofundadas. Esse modelo foi adotado por instituições de grande porte ao longo das últimas décadas como forma de refinar a seleção.
No entanto, simulações realizadas por universidades indicam que a retirada da segunda fase altera pouco a lista final de aprovados. Em alguns casos, cerca de 80% dos candidatos manteriam praticamente a mesma posição na classificação, com mudanças concentradas apenas na ordem dos colocados.
Com base nesses dados, instituições passaram a reformular seus processos seletivos, concentrando as provas em um único dia, com menor número de questões e redução do peso de avaliações discursivas. A mudança também acompanha uma tendência de simplificação dos vestibulares, que já vinham sendo encurtados ao longo dos anos.
Além do impacto considerado baixo na seleção, outro fator relevante é a redução de custos operacionais. A aplicação de provas em múltiplos dias exige mais estrutura, logística e equipe, o que pesa no orçamento das universidades, especialmente em instituições públicas.
A abstenção de candidatos também entra na conta. A segunda fase costuma registrar índices maiores de ausência, seja por dificuldades de deslocamento, custos ou até desistência após o resultado inicial. Ao concentrar a avaliação em uma única etapa, as universidades tentam reduzir esse problema e garantir maior participação efetiva.
Apesar da mudança, especialistas apontam que o modelo de fase única pode limitar a avaliação de habilidades mais complexas, como argumentação, escrita e domínio aprofundado de conteúdos específicos — tradicionalmente medidos em provas discursivas.
Ainda assim, a tendência de simplificação deve avançar nos próximos anos, especialmente com a crescente influência de modelos alternativos de seleção, como o uso do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e sistemas híbridos de ingresso.
Na prática, a mudança não elimina a concorrência nem reduz o nível de exigência, mas altera a forma como os candidatos são avaliados, priorizando provas mais objetivas e processos mais rápidos.

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