Pense no pior dia da sua vida.
Não no mais triste.
No mais difícil.
Naquele em que algo dentro de você quebrou de um jeito que nunca mais voltou a ser igual.
Talvez tenha sido uma perda.
Uma rejeição profunda.
Uma humilhação.
Um abandono.
Ou um momento em que você percebeu que estava completamente sozinho.
Agora perceba algo incontestável: Você sobreviveu.
Mas aqui está a verdade que quase ninguém tem coragem de dizer:
Sobreviver não significa que aquilo acabou.
O pior dia não terminou. Ele apenas aprendeu a se esconder.
O tempo passou.
As pessoas seguiram.
A vida continuou — pelo menos por fora.
Mas algo em você ficou ali.
Ficou naquele instante exato em que:
O medo tomou conta;
O controle se perdeu;
A segurança desapareceu;
Você precisou engolir a dor para continuar;
Esse é o momento que sua mente consciente chama de “passado”, mas o seu subconsciente revive a todo instante e seu corpo chama de agora.
É por isso que nada parece realmente novo
Você tenta recomeçar.
Muda planos.
Cria metas.
Promete que agora vai ser diferente.
Mas, em algum ponto, tudo trava.
A ansiedade aparece sem aviso.
O medo surge quando não deveria.
A "autoproteção" entra em cena quando algo começa a dar certo.
O cansaço emocional não passa.
E então vem a pergunta silenciosa e cruel: “O que há de errado comigo?”
A resposta é dura — mas libertadora:
Nada está errado com você.
O que está errado é achar que aquele dia terminou só porque você continuou vivo.
Quando sobreviver vira uma prisão
No pior dia da sua vida, você fez o que era possível:
Se fechou;
Se protegeu;
Criou defesas;
Ficou em alerta.
Isso salvou você naquele momento.
Mas ninguém te ensinou a sair desse estado.
E agora, anos depois, você ainda vive como quem precisa se proteger o tempo todo.
Você chama isso de:
“Meu jeito”;
“Minha personalidade”;
“Minha história”;
Mas isso não é quem você é.
Isso é quem você precisou ser para sobreviver.
Enquanto esse dia não for elaborado, ele continuará decidindo por você
Ele decide:
Como você reage;
Como você confia;
Como você ama;
Até onde você vai.
E ele faz isso em silêncio.
Você não percebe, mas sente.
Sente no corpo.
No peito apertado.
Na mente acelerada.
Na sensação constante de que algo pode dar errado a qualquer momento.
Esse é o eco do pior dia da sua vida.
Você não está preso porque é fraco.
Você está preso porque ninguém te ajudou a fechar esse capítulo do jeito certo.
Existem dores que não se resolvem com conversa, porque não foram registradas na palavra, mas na experiência.
Elas precisam ser acessadas no nível onde foram registradas.
E isso não se faz sozinho.
Talvez você não precise de mais motivação, mas de libertação.
Talvez o que te impede de viver algo novo não seja falta de coragem,
mas o peso de algo antigo que nunca foi encerrado.
Enquanto o pior dia da sua vida continuar ativo dentro de você,
qualquer tentativa de seguir em frente será cansativa, frustrante e limitada.
E no fundo… você sabe disso.
Se ao ler este texto algo apertou, incomodou ou fez sentido demais, não ignore. Isso não é coincidência.
É consciência.
Sobreviver você já conseguiu.
Agora talvez seja hora de não viver mais como quem ainda precisa sobreviver.
Existe um caminho seguro e profundo para acessar esse ponto exato da sua história, elaborar o que ficou preso e permitir que o corpo finalmente entenda que aquele dia acabou. Quando isso acontece, a vida muda — não porque você tentou mais, mas porque algo finalmente foi encerrado.
Willian de Almeida
Onde a dor encontra acolhimento e a vida, transformação.
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