Diferente da gordura subcutânea, visível e palpável logo abaixo da pele, existe um inimigo silencioso que se aloja profundamente na cavidade abdominal: a gordura visceral. O acúmulo de tecido adiposo entre órgãos vitais como fígado, pâncreas e intestino representa um dos maiores desafios de saúde pública atual. Sua presença excessiva não constitui apenas uma questão estética, mas funciona como um gatilho metabólico perigoso, capaz de liberar substâncias inflamatórias na corrente sanguínea.
A preocupação médica reside no fato de que esse tipo de gordura é metabolicamente ativo. Ela interfere diretamente no funcionamento hormonal e aumenta significativamente a probabilidade de desenvolvimento de doenças crônicas, incluindo hipertensão arterial, diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares e até certos tipos de câncer. Estudos recentes apontam ainda uma correlação entre o excesso de gordura visceral e o declínio cognitivo.
Para a população de Santa Isabel, o alerta recai sobre o estilo de vida. O sedentarismo, o consumo excessivo de álcool e uma dieta baseada em alimentos ultraprocessados são os principais vetores para o surgimento do problema. Um dado relevante é que a condição não é exclusiva de pessoas com sobrepeso evidente. Indivíduos magros, dependendo de fatores genéticos e hábitos alimentares inadequados, também podem apresentar níveis elevados de gordura entre as vísceras, o que torna o diagnóstico visual impreciso.
Critérios de identificação e riscos
A identificação do risco pode começar em casa, com o uso de uma fita métrica. Medidas da circunferência abdominal, na altura do umbigo, que ultrapassem 101,5 cm em homens e 89 cm em mulheres, já indicam um quadro de atenção. Para um diagnóstico detalhado, exames de imagem como bioimpedância e ressonância magnética oferecem precisão sobre a composição corporal.
O combate a esse quadro inflamatório passa, obrigatoriamente, pela reeducação alimentar. A substituição de itens industrializados por uma dieta rica em alimentos naturais tem por objetivo reverter o acúmulo de lipídios. O abacate, por exemplo, destaca-se pela capacidade de auxiliar na redução da gordura visceral, com eficácia notável no organismo feminino.
O consumo regular de cereais integrais — como aveia, arroz e trigo integral — auxilia no controle glicêmico e na sensação de saciedade. Já as leguminosas, grupo que inclui feijão, lentilha e grão-de-bico, contribuem para a saúde intestinal e manutenção do peso. A lista de aliados inclui ainda vegetais crucíferos (brócolis, couve-flor, repolho), conhecidos por suas propriedades anti-inflamatórias, e oleaginosas, fontes de gorduras benéficas e fibras.
A ingestão de chás verde e preto, associada ao consumo de frutas e especiarias antioxidantes, atua na aceleração do metabolismo e no combate aos radicais livres. A reportagem apurou que a mudança de hábitos, embora desafiadora, é a ferramenta mais eficaz. A prática regular de atividades físicas combinada a escolhas nutricionais conscientes não apenas reduz a gordura abdominal, mas interrompe o ciclo inflamatório que compromete a longevidade.

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