A BYD prepara a ampliação da produção nacional de veículos em Camaçari, na Bahia, com novas etapas de fabricação e maior participação de componentes locais. A empresa prevê iniciar essa transição entre novembro e dezembro de 2026 e alcançar um índice de 50% de nacionalização em janeiro de 2027, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta sexta-feira (30 de outubro).
O avanço faz parte da estratégia para reduzir a dependência de veículos enviados desmontados da China e viabilizar exportações a países do Mercosul. Os prazos são projeções da montadora.
DA MONTAGEM À FABRICAÇÃO LOCAL
A operação utiliza os regimes CKD e SKD, nos quais os automóveis chegam ao Brasil desmontados ou parcialmente montados. A incorporação de etapas como soldagem, pintura e estamparia permitirá ampliar o trabalho industrial realizado no país.
Em comunicado próprio, a BYD informou que as unidades de soldagem e pintura passam por testes e que mais de 1.100 profissionais foram contratados para essas operações. A estrutura de estamparia também está em implantação.
Segundo a Folha, 17 fornecedores estão instalados no complexo. A nacionalização, porém, ocorre gradualmente e não significa que todos os componentes passarão a ser fabricados no Brasil.
EXPORTAÇÕES NO PLANEJAMENTO
Em entrevista à Reuters publicada em 23 de outubro, o vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, afirmou que o aumento do conteúdo local permitirá atender pedidos de outros mercados a partir de 2027.
O executivo citou encomendas de 50 mil veículos da Argentina e outras 50 mil do México. Os dois destinos integram a estratégia regional da empresa, embora o México não faça parte do Mercosul.
EXPANSÃO DEPENDE DE LICENÇAS
A montadora também iniciou pedidos de licenciamento para ampliar a capacidade anual da fábrica a 600 mil veículos. A meta de longo prazo busca atender ao mercado brasileiro e às exportações, mas depende da expansão das instalações e das autorizações necessárias.
A unidade tem cerca de 9 mil trabalhadores, segundo a empresa. O crescimento da operação também exige ampliar a rede de fornecedores e reduzir a dependência de peças importadas, um dos desafios para consolidar a fabricação local.
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