O Brasil pode enfrentar uma nova temporada de incêndios florestais acima da média em 2026. A previsão de formação de um El Niño de forte intensidade aumenta o risco de seca em diversas regiões do país e coloca à prova a capacidade de prevenção e combate aos incêndios desenvolvida nos últimos anos. As informações são da Deutsche Welle (DW).
O alerta ocorre após um cenário mais favorável registrado em 2025. Segundo dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a área queimada no país caiu para o terceiro menor patamar da série histórica iniciada em 2012. Em 2024, por outro lado, o Brasil registrou o maior número de áreas queimadas desse período.
Especialistas atribuem a redução observada em 2025 à combinação de condições climáticas mais favoráveis e ao avanço da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF), criada para fortalecer ações de prevenção, monitoramento e resposta aos incêndios florestais.
Para este ano, entretanto, o cenário é diferente. Modelos climáticos indicam elevada probabilidade de formação de um El Niño forte ou até muito forte, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, capaz de alterar o regime de chuvas e elevar as temperaturas em diferentes regiões do planeta. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima 63% de probabilidade de o evento atingir a categoria de "muito forte".
No Brasil, os impactos variam conforme a região. Entre os efeitos esperados estão períodos prolongados de estiagem, ondas de calor e redução da umidade do ar, fatores que favorecem a propagação de incêndios em áreas de vegetação nativa, pastagens e propriedades rurais.
Diante desse cenário, o governo federal criou uma Sala de Situação Interministerial para coordenar ações de prevenção e resposta aos possíveis efeitos do El Niño. O grupo reúne representantes de cerca de 20 órgãos federais e acompanha continuamente as previsões meteorológicas e os riscos de desastres naturais.
Embora Santa Isabel não esteja entre as regiões com maior histórico de grandes incêndios florestais, períodos de estiagem também aumentam o risco de queimadas em áreas de mata, vegetação e zonas rurais do município. Nesses casos, especialistas reforçam a importância de evitar queimadas para limpeza de terrenos, descarte irregular de bitucas de cigarro e qualquer prática que possa iniciar focos de incêndio.
Além dos prejuízos ambientais, incêndios de grandes proporções afetam a qualidade do ar, colocam em risco a fauna, a flora e podem comprometer atividades agrícolas, além de ameaçar comunidades próximas às áreas atingidas.
O comportamento do El Niño continuará sendo monitorado nos próximos meses. A intensidade do fenômeno será determinante para o tamanho dos impactos climáticos esperados no Brasil durante o segundo semestre de 2026.

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