Os juros do rotativo do cartão de crédito voltaram a subir em maio e chegaram a 449,9% ao ano, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O aumento foi de 5,7 pontos percentuais em relação ao mês anterior e representa uma das maiores taxas dos últimos anos, refletindo diretamente no endividamento das famílias em todo o país, incluindo as de Santa Isabel.
O crédito rotativo é acionado quando o consumidor paga apenas uma parte da fatura do cartão até a data de vencimento. Essa é considerada a modalidade mais cara do mercado financeiro. Por regulamentação da autoridade monetária, os bancos são obrigados a transferir automaticamente a dívida rotativa para o crédito parcelado após 30 dias, com juros menores — ainda que elevados.
A taxa média do crédito parcelado também aumentou no mês de maio, passando de 178,6% para 181% ao ano, uma alta de 2,4 pontos percentuais. Já a taxa total do cartão, que inclui tanto o rotativo quanto o parcelado, subiu de 86,7% para 90,1% ao ano.
Apesar do parcelamento forçado após 30 dias ser uma tentativa de conter o endividamento crescente, o custo ainda é alto para o consumidor, especialmente em contextos de renda mais baixa e perda de poder de compra. Em Santa Isabel, onde o comércio local tem se recuperado lentamente após os impactos econômicos da pandemia e da inflação, a situação requer atenção redobrada.
A segunda linha de crédito mais cara disponível no país segue sendo o cheque especial. Em maio, a taxa média de juros para essa modalidade foi de 134,7% ao ano. Apesar de ser levemente inferior à registrada em abril (137,4%), ainda representa um patamar crítico para consumidores com dificuldade de manter as contas em dia.
Especialistas alertam para o uso consciente do cartão de crédito e recomendam evitar o pagamento mínimo da fatura. O Banco Central reforça que o uso do rotativo deve ser encarado como uma medida emergencial e de curtíssimo prazo, sendo preferível buscar alternativas como linhas de crédito com juros mais baixos ou renegociações com o próprio emissor do cartão.
