Uma pesquisa realizada pelo Datafolha reacendeu o debate sobre o acesso a medicamentos básicos no Brasil — questão que também afeta moradores de cidades do interior como Santa Isabel. Segundo o levantamento, dois em cada três brasileiros (66%) são a favor da volta da venda de remédios isentos de prescrição em supermercados, armazéns e outros comércios.
A prática foi proibida em 2009 por uma norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que determinou que esse tipo de medicamento — como dipirona, paracetamol e antiácidos — só pode ser vendido em farmácias e drogarias licenciadas. A medida, na época, teve como objetivo reforçar o controle sobre o uso e evitar automedicação.
No entanto, o assunto voltou à pauta após a aprovação de um projeto de lei na Câmara dos Deputados que permite a venda desses medicamentos fora das farmácias. A proposta agora segue para análise do Senado.
De acordo com o Datafolha, 90% dos entrevistados disseram usar, ou ter alguém na família que usa, medicamentos isentos de prescrição médica. Além disso, 63% consideram que a proibição atual prejudica o consumidor. Outro dado que chama atenção é que 88% das pessoas entrevistadas afirmam que os donos de farmácia estão mais preocupados com a perda de lucro do que com os riscos à saúde pública.
Cidades menores, como Santa Isabel, podem sentir impacto direto caso a liberação seja aprovada. O município tem áreas com poucas farmácias e distritos afastados do centro urbano, onde o acesso a medicamentos pode depender de transporte público ou horários restritos de atendimento.
Embora o levantamento do Datafolha não tenha medido opiniões específicas de moradores de Santa Isabel, os dados revelam um cenário nacional de insatisfação com as limitações impostas pela regulamentação atual. A discussão levanta questões sobre o equilíbrio entre acesso facilitado e segurança no uso de medicamentos, especialmente em regiões onde o sistema público de saúde apresenta limitações.
A Anvisa ainda analisa o tema. Enquanto isso, o projeto de lei segue tramitando no Congresso Nacional. Especialistas ouvidos por veículos nacionais apontam que, caso aprovado, o retorno da venda em supermercados exigirá regras claras para evitar abusos e garantir a correta orientação ao consumidor.
Para municípios como Santa Isabel, onde a estrutura de saúde básica enfrenta desafios, qualquer mudança na legislação sobre acesso a medicamentos pode trazer efeitos significativos — tanto positivos quanto preocupantes.
