Os registros de violência doméstica em Santa Isabel dispararam 50% no primeiro semestre de 2025, um índice quase três vezes superior à média de crescimento observada na região do Alto Tietê. Os dados, compilados pelo Painel da Violência Doméstica do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), revelam que o número de casos na cidade saltou de 48, nos primeiros seis meses de 2024, para 72 no mesmo período deste ano.
O aumento expressivo coloca Santa Isabel em uma posição de destaque negativo no levantamento regional. Enquanto o conjunto de municípios do Alto Tietê registrou uma alta de 18,37%, passando de 2.624 para 3.106 casos, o avanço em Santa Isabel foi um dos mais acentuados, superado apenas por Salesópolis, que teve um crescimento percentual de 63,16% sobre uma base menor de ocorrências.
O cenário demanda atenção das autoridades de segurança pública e da rede de proteção à mulher. A escalada da violência na cidade acompanha a tendência de outros grandes municípios da região, como Mogi das Cruzes, que viu os casos subirem 31,89% (de 1.082 para 1.427), e Suzano, com aumento de 14,42% (de 416 para 476).
Na contramão, algumas cidades do consórcio apresentaram queda, como Itaquaquecetuba, com redução de 7,58%, além de Arujá e Poá, com pequenas diminuições.
O Paradoxo das Medidas Protetivas
Um dos pontos mais preocupantes revelados pelo painel do CNJ é a aparente contradição entre o aumento de denúncias e a concessão de medidas protetivas de urgência, ferramenta essencial para a segurança da vítima. Em todo o Alto Tietê, o número total de medidas concedidas caiu 3,88%, passando de 3.708 para 3.564 no período analisado.
Essa queda no sistema de proteção, enquanto a violência reportada cresce, acende um alerta sobre possíveis dificuldades que as vítimas encontram após a denúncia, seja no acesso à Justiça ou na efetivação de seus direitos. O dado regional não permite uma análise específica sobre Santa Isabel neste quesito, mas insere o grave aumento de casos no município dentro de um contexto ainda mais desafiador.
A situação de Santa Isabel, com um crescimento de violência muito acima da média, evidencia a urgência de políticas públicas focadas no combate à violência de gênero e no fortalecimento da rede de acolhimento e proteção às vítimas no município.
