Uma área já utilizada para descarte irregular de resíduos no bairro Brotas deverá receber o primeiro Ecoponto de Santa Isabel. A estrutura será implantada na Rua José Basílio Alvarenga, na altura do número 1.200, com início previsto para setembro e prazo estimado de 30 dias para conclusão após o começo das obras.
A implantação foi anunciada pela Prefeitura de Santa Isabel e pretende criar um local específico para recebimento de determinados resíduos que não devem ser simplesmente abandonados em terrenos, calçadas, vias públicas, áreas verdes ou próximos a cursos d'água.
A escolha do endereço não ocorreu por acaso. Segundo a administração municipal, o trecho é considerado um "ponto viciado de descarte", expressão utilizada para locais onde o depósito irregular de materiais se torna recorrente mesmo depois da realização de limpezas.
Na prática, a proposta será substituir um ponto onde resíduos são deixados irregularmente por uma estrutura organizada para recebê-los dentro de regras que ainda serão estabelecidas.
Para o morador, entretanto, há uma informação importante: o Ecoponto não significará autorização para descartar qualquer tipo ou quantidade de material no endereço.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Agropecuário informou que serão definidos critérios sobre os resíduos aceitos, limites de quantidade e condições para recebimento. Essas regras ainda não foram detalhadas no anúncio.
Por isso, antes do início efetivo do funcionamento, será necessário saber exatamente o que a população poderá levar ao local.
INVESTIMENTO PREVISTO É DE CERCA DE R$ 20 MIL
A implantação está estimada em aproximadamente R$ 20 mil, mas, segundo a Prefeitura, o valor não será pago diretamente pelos cofres municipais.
O recurso será proveniente de compensação ambiental.
Esse mecanismo é utilizado em situações nas quais uma pessoa física ou jurídica possui obrigação de compensar impactos ou danos ambientais. De acordo com as informações divulgadas, a compensação será utilizada para custear a implantação da estrutura, enquanto a Prefeitura fornecerá a mão de obra.
O comunicado não identifica quem é o responsável pela compensação ambiental que financiará o Ecoponto, nem detalha o processo que originou a obrigação.
Também não foram informados eventuais custos futuros de operação, manutenção, transporte e destinação dos materiais recebidos depois que a estrutura começar a funcionar.
O QUE MUDA PARA O MORADOR?
A principal mudança esperada é a criação de uma alternativa regular para determinados resíduos que hoje podem acabar descartados de maneira inadequada.
Um Ecoponto funciona como local de entrega voluntária. Isso significa que o morador leva até a estrutura os materiais autorizados, respeitando as regras de quantidade e acondicionamento.
O equipamento também não substitui a coleta convencional de lixo doméstico nem, necessariamente, a coleta seletiva que já percorre bairros de Santa Isabel durante a semana.
São serviços com finalidades diferentes.
A coleta convencional atende aos resíduos comuns das residências. A coleta seletiva recebe materiais recicláveis dentro do roteiro estabelecido pelo município. Já o Ecoponto deverá servir como endereço específico para entrega dos materiais que forem definidos pela Secretaria de Meio Ambiente.
Quais serão esses materiais ainda precisa ser divulgado.
Essa definição será especialmente importante para evitar que o próprio Ecoponto se transforme em novo local de descarte inadequado.
UM PROBLEMA QUE TAMBÉM CUSTA DINHEIRO PÚBLICO
Além do impacto visual e ambiental, pontos de descarte irregular exigem sucessivas ações de limpeza e retirada de materiais.
Quando o descarte volta a ocorrer depois da limpeza, o município precisa novamente mobilizar trabalhadores, veículos e estrutura para remover os resíduos.
Há ainda riscos quando materiais são abandonados próximos a áreas verdes ou cursos d'água, além da possibilidade de obstrução de espaços públicos e formação de locais propícios ao acúmulo de água e outros problemas urbanos.
A implantação do Ecoponto no próprio trecho onde já existe descarte recorrente tenta modificar essa dinâmica: em vez de apenas retirar repetidamente aquilo que é abandonado no local, será criada uma estrutura para receber de forma organizada os resíduos permitidos.
O resultado dependerá, porém, de fatores que vão além da construção.
Será necessário que os moradores conheçam as regras, que os materiais recebidos sejam retirados e encaminhados adequadamente e que continue existindo fiscalização contra descartes realizados fora da estrutura ou em outros pontos da cidade.
DESTINO DOS RESÍDUOS
Segundo a Prefeitura, os materiais recebidos deverão ser posteriormente encaminhados para reaproveitamento, reciclagem ou outra forma de destinação ambientalmente adequada, conforme o tipo de resíduo.
O anúncio não especifica quais empresas, cooperativas ou estruturas serão responsáveis por receber esses materiais depois da entrega no Ecoponto.
Também não foram divulgados os dias e horários de funcionamento da futura unidade.
Essas informações deverão ser conhecidas antes da abertura para que a população consiga efetivamente utilizar o serviço.
PRIMEIRO ECOPONTO PODE SERVIR DE TESTE PARA OUTROS BAIRROS
A unidade de Brotas será a primeira desse tipo em Santa Isabel.
A Prefeitura informou que existe expectativa de, em um segundo momento, replicar o projeto em outros bairros. Não há, entretanto, cronograma, locais definidos ou quantidade prevista de novas unidades.
Assim, por enquanto, a única implantação anunciada é a da Rua José Basílio Alvarenga.
A experiência no bairro poderá ajudar a mostrar se a disponibilização de um ponto regular de entrega consegue reduzir o descarte clandestino naquela região e qual será a demanda dos moradores pelo serviço.
O anúncio representa uma alternativa para um problema conhecido no local, mas algumas das informações mais importantes para o uso cotidiano ainda precisam ser apresentadas.
Antes de levar qualquer material ao futuro Ecoponto, o morador deverá aguardar a divulgação da data de abertura, horários, lista de resíduos permitidos e limites de quantidade.
Até que a estrutura esteja concluída e essas regras sejam estabelecidas, o trecho não deve ser entendido como um ponto autorizado para descarte.

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