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Terça-feira, 09 de Dezembro 2025

Colunas/ENTRE LIKES E SILÊNCIOS

Opinião, posicionamento e silêncio: o dilema da autenticidade no espaço digital

Entre opiniões descartáveis e posicionamentos consistentes, cresce o desafio de comunicar com coragem e responsabilidade.

Opinião, posicionamento e silêncio: o dilema da autenticidade no espaço digital
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Estamos em uma era onde todos têm uma opinião. Uma rolagem rápida no feed de qualquer rede social é suficiente para perceber a quantidade de “verdades” emitidas em tom de sentença, muitas vezes sem reflexão, sem responsabilidade e sem preocupação com as consequências. Mas há uma diferença fundamental entre ter opinião e ter posicionamento — diferença que costuma se perder no barulho digital e que pode determinar tanto a credibilidade de uma pessoa quanto o futuro de uma marca ou carreira.

A opinião é volátil, quase sempre reativa. Surge de impressões imediatas, da emoção do momento, de um incômodo passageiro ou da influência de um ambiente específico. Alguém lê uma manchete, se indigna, publica uma frase impulsiva e, no dia seguinte, pode até pensar diferente. Opiniões mudam com frequência — e não há nada de errado em mudar. O problema começa quando confundimos essa reação efêmera com posicionamento.

O posicionamento, ao contrário, exige consistência. Ele não nasce de uma faísca de indignação, mas de reflexão, valores, visão de mundo. Enquanto a opinião pode ser uma foto tirada no calor da hora, o posicionamento é um filme construído ao longo do tempo. Ele se revela no modo como alguém age, nos temas que escolhe sustentar, na forma como responde às críticas, na coerência entre discurso e prática.

Essa distinção é essencial em tempos de hiperexposição. As redes sociais transformaram cada indivíduo em comunicador permanente, ainda que não perceba. E a diferença entre ser lembrado por uma opinião rasa ou respeitado por um posicionamento consistente é justamente a capacidade de sustentar o que se diz — e de comunicar com clareza onde se está, o que se defende e por quê.

O risco de confundir opinião com posicionamento fica evidente em ambientes de tensão social, como o que vivemos. Um comentário feito sem cuidado pode custar reputações, contratos, parcerias. Muitas vezes não é o que se disse, mas o fato de não ter uma coerência anterior que sustente a fala. Quando falta histórico, cada opinião vira uma armadilha.

O contrário também é verdadeiro: quando há posicionamento sólido, mesmo uma frase polêmica encontra contexto. O público percebe a linha de pensamento, entende a intenção, reconhece a coerência. Pode discordar, mas dificilmente acusará de incoerência. É por isso que personalidades, marcas e profissionais que cultivam posicionamento sobrevivem a tempestades que derrubariam outros.

Mas há ainda outro elemento nesse jogo: o silêncio. Ele pode ser estratégia ou covardia, sabedoria ou medo. Há momentos em que calar é necessário, porque nem tudo exige resposta imediata. Mas há situações em que o silêncio pesa como ausência e mina credibilidade. Quando temas essenciais se impõem, quando valores estão em disputa, quando o contexto pede clareza, o silêncio não protege — expõe.

Nesse ponto, o dilema se aprofunda: comunicar é arriscar. Mas não comunicar é perder espaço. A ausência de posicionamento deixa um vácuo, e o vácuo sempre será preenchido por quem estiver disposto a falar. O público não respeita quem nunca se posiciona, porque percebe a fragilidade. Do mesmo modo, não respeita quem opina de forma errática, sem coerência, apenas para acompanhar tendências.

Construir um posicionamento não significa emitir opinião sobre tudo. Significa escolher onde faz sentido se manifestar, quais temas dialogam com sua identidade, de que forma é possível contribuir. É entender que posicionar-se é mais sobre consistência do que sobre frequência. É possível falar menos, mas falar com mais peso.

E aqui talvez esteja o maior desafio do nosso tempo: assumir que se posicionar exige coragem. Coragem de contrariar o fluxo, de sustentar divergências, de ser criticado. Coragem, sobretudo, de não ser refém de likes. Porque likes se conquistam com frases de efeito; respeito se constrói com posicionamento.

No fim, a grande reflexão é: estamos cultivando opiniões descartáveis ou construindo posicionamentos duradouros? Estamos presos à pressa de reagir ou dispostos a assumir a responsabilidade de sustentar o que acreditamos? Estamos em busca de aplauso imediato ou de credibilidade de longo prazo?

Entre silêncios e likes, a escolha não é entre falar ou calar, mas entre opinar ou se posicionar. E essa escolha define não apenas como somos percebidos, mas também o legado que deixaremos nas conversas públicas.

Sou Lana M. Morais, jornalista e estrategista em comunicação, com mais de 20 anos de experiência em rádio, TV, portais, impresso, revistas e plataformas digitais. Atuo como consultora para empresários, empresas e políticos que desejam se posicionar de forma sólida e se transformar em autoridades em suas áreas de atuação.

LANA M MORAIS

Publicado por:

LANA M MORAIS

Jornalista com mais de 20 anos de experiência, pós-graduada em comunicação política e gestão de empresas de radiodifusão, atuou em grandes veículos nacionais e hoje assina coluna Entre Likes e Silêncios no portal O Isabelense.

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