A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação do uso de medicamentos destinados ao tratamento de lúpus e esclerose múltipla em crianças e adolescentes. A medida amplia as opções terapêuticas para pacientes pediátricos com doenças autoimunes e foi publicada no Diário Oficial da União.
No caso do lúpus eritematoso sistêmico (LES), o medicamento Benlysta (belimumabe) passa a ter indicação para crianças a partir de 5 anos. A autorização contempla a versão em caneta aplicadora (autoinjetora), utilizada como tratamento complementar para pacientes com alta atividade da doença que já fazem uso do tratamento convencional, como corticosteroides, antimaláricos, anti-inflamatórios não esteroides ou outros imunossupressores.
Segundo a Anvisa, embora a formulação intravenosa já pudesse ser utilizada em pacientes pediátricos, a versão subcutânea oferece mais comodidade às famílias, reduzindo a necessidade de deslocamentos frequentes aos centros de infusão e facilitando a continuidade do tratamento.
Outra mudança aprovada envolve o medicamento Ocrevus (ocrelizumabe), utilizado no tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente. A partir da decisão, o remédio poderá ser indicado para adolescentes com 12 anos ou mais e peso igual ou superior a 40 quilos. O medicamento atua reduzindo a atividade inflamatória característica da doença.
A esclerose múltipla é considerada rara na população pediátrica, representando entre 3% e 5% dos casos da doença. Apesar disso, costuma apresentar maior atividade inflamatória e frequência de surtos em crianças e adolescentes, podendo comprometer o desenvolvimento cognitivo, escolar e social quando não tratada adequadamente.
Já o lúpus pediátrico é uma doença autoimune crônica e potencialmente grave. Em comparação com os casos em adultos, costuma apresentar maior atividade inflamatória, maior comprometimento de órgãos e maior risco de danos permanentes ao longo da vida, tornando o acesso precoce às terapias um fator importante para o controle da doença.
Especialistas destacam que a ampliação das indicações não significa que os medicamentos poderão ser utilizados indiscriminadamente. A prescrição deve ser feita por médicos especialistas, seguindo critérios clínicos específicos e considerando as características de cada paciente.
A decisão da Anvisa representa mais uma ampliação do acesso a tratamentos voltados ao público pediátrico, especialmente em doenças raras e autoimunes, para as quais as opções terapêuticas costumam ser limitadas.

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